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2009 - Classic Rock Revisited
Brazil Under Ice - Iced Earth Official Brazilian Site
Brazil Beyond Fear - Tim "Ripper" Owens Official Brazilian Site

Traduzido por Antonio Neto.

Por Ryan Sparks

O cantor Tim “Ripper” Owens tem corrido ao vento nos últimos 13 anos. Desde que ele assumiu a tarefa considerada impossível de substituir a lenda do metal Rob Halford no Judas Priest em 1996, o nativo de Akron, Ohio, EUA, não perde tempo com o passado. Mesmo com Tim segurando a barra no Judas Priest, o inevitável aconteceu quando a banda se reuniu com Halford em 2003, deixando Owens sem trabalho, apenas por um breve tempo.

Ripper entrou na banda americana de metal Iced Earth no ano seguinte e acabou fazendo os vocais de dois discos entre 2004 -2007. Ao mesmo tempo, começou seu projeto Beyond Fear com músicos de sua terra natal em Ohio. Mais recentemente, os pulmões de aço de Tim foram ouvidos no mais recente disco do destruidor sueco Yngwie Malmsteen, Perpetual Flame.

Agora com seu primeiro lançamento solo, "Play My Game", que apresenta uma impressionante lista de convidados, Owens está pronto para dar o próximo passo lógico no que tem sido uma respeitável carreira até agora. "Play My Game" é repleto de tudo o que você espera dele e mais um pouco.

Ryan: Após ouvir o "Play My Game" pela primeira vez do começo ao fim, quando acabou fiquei com uma impressão bem melhor do Ripper Owens como músico, entende?

Tim Owens: Acho que sim, é exatamente esse tipo de CD. A razão pela qual você sente isso é porque tudo o que está lá é algo que quis fazer. É o tipo de música que eu gostaria de ouvir ao comprar um CD. Queria ser mais agressivo ás vezes, mas não quis fazer isso nesse disco porque eu já tenho o Beyond Fear pra isso. Esse agora foi para ser mais contido e fazer algo legal.

Ryan: Eu não diria que é um disco leve.

Tim Owens: Não é. Alguém me disse outro dia que achou mais suave. É engraçado ouvir as opiniões e as pessoas falando sobre, porque cada um diz algo diferente. É bem divertido.

Ryan: É pesado mas ainda assim um pouco melódico.

Tim Owens: É.

Ryan: Eu também acho que tem a ver com o fato de que, com algumas exceções, nos últimos doze anos você vem cantando em trabalhos praticamente alheios, enquanto o "Play My Game" tem seu nome e você comanda tudo.

Tim Owens: Exatamente, e foi intencional. Eu sei que não vai agradar a todos. Quando você tem muito trabalho em muitas bandas, como eu tive, mesmo no Beyond Fear, cada um faz do próprio jeito o que eu queria fazer do meu. Eles sempre acham que estão certos. É assim, sabe?

Ryan: Tenho certeza de que foi intencional, mas eu adorei a capa do disco. Tem uma aparência de vídeo game. Como se você tivesse passado por um processo de 'rotoscope'.

Tim Owens: O que é isso?

Ryan: É uma técnica de animação onde filmam os atores e depois pintam ele.

Tim Owens: Bem, foi mais ou menos isso, mas foi redesenhado à mão. Foi uma foto real, de uma sessão ou show comigo no palco, mas o cara que a fez redesenhou-a. Outra coisa, é sempre legal fazer capas, as pessoas ou amam elas ou odeiam. É a coisa mais engraçada, em cada capa que eu tive participação foi a mesma coisa. Nunca vi uma banda agradar a todos com suas capas, e nessa foi a mesma coisa. Mandei umas quatro capas para a gravadora, meu produtor ,amigos e família, e essa foi a que mais agradou. Eu escolhi outra, mas essa foi a mais escolhida e o disco ainda não se chamava "Play My Game" ainda. O logo estava na capa e a foto. A razão pela qual eu acabei gostando, especialmente da arte, é de quando alguém compra o CD e pega o encarte. Eu aconselharia a todos a fazerem isso. Não vou mentir, eu pego muitas músicas no iTunes, mas quando eu vejo um encarte como o do Heaven and Hell, ou do tipo, eu vou e compro. O encarte que vem é meio retrô e de aspecto antigo. Isso me lembra os posters de filmes antigos, dos anos 60 ou 70, me passa esse sentimento. Talvez tenha algo a ver com o trabalho do Quentin Tarantino. É bem legal porque ás vezes tem comentários como o que você fez, de que parece um vídeo game. Eu não jogo nada além de Tiger Woods Golf ou outra coisa. Mas provavelmente é a mesma idéia, porque os vídeo games estão provavelmente fazendo o mesmo e se modelando de acordo com pôsteres de filmes e coisas assim.

Ryan: Antes de perguntar sobre os grandes músicos de seu disco, eu queria perguntar sobre sua inspiração nas letras, especialmente em músicas como “Believe” e “Pick Yourself Up” que são verdadeiros hinos de rock positivos liricamente.

Tim Owens: Sim, todo mundo passa por altos e baixos ás vezes. Quando você escreve essas músicas, você quer manter o otimismo, e manter um pensamento positivo, e essas músicas são basicamente sobre isso. Você tem que acreditar em si mesmo e se restabelecer quando cai. Mesmo a música bônus do iTunes chamada “The Challenge” é uma música sobre a vida ser um desafio e é o que acontece. Você tem alguns obstáculos mais complicados ás vezes, e acaba caindo, mas é isso o que te faz mais forte e te faz aprender a cada dia que passa. Então é isso o que tentei passar nessas letras.

Ryan: “The Cover Up” que é um pouco baseada no incidente Roswell é uma faixa interessante. Me fale sobre ela. Você é um dos que se interessa por teorias conspiratórias?

Tim Owens: Na verdade eu não sou fã de temas alien, ficção científica, dragões. Essa foi a música que eu mais trabalhei, porque eu queria uma música rápida. Liricamente, simplesmente pensei “Sobre o que deveria escrever?” e comecei pensando em aliens. Tem uma sonoridade clássica, metal antigo então eu escrevi sobre aliens e o que eu sabia deles. Posso te dizer que algumas pessoas com quem eu andei ultimamente são com certeza aliens (risos).

Ryan: O que eu gosto no disco é que a maioria delas é mid tempo com balanços sólidos e bons. Não há muitas músicas rápidas nesse disco, apesar de “Death Race” ser ótima.

Tim Owens: Não tem mesmo. Todo o tipo de música que eu sempre gostei tinha umas músicas rápidas no disco e o resto era mid tempo. É assim que sempre foi. “Death Race” é uma música boa e eu sabia que teria que fazer umas músicas rápidas, escrevi ela com o John Comprix, guitarrista do Beyond Fear. Eu sabia que se eu escrevesse com ele, seria diferente. Pedi a ele para fazer um pouco diferente do que faríamos no Beyond Fear, mas que mantivesse seu estilo e é exatamente o que ele trouxe. Acho que é definitivamente uma das mais legais do disco.

Ryan: Outra ótima música é a “The World Is Blind”.

Tim Owens: Sim, essa é boa. Tem um grande elenco, com o Billy Sheehan no meio. Tem uma história engraçada por trás dela. Minha esposa me disse “Você deveria fazer uma música sobre as pessoas morrendo de fome na África ou algo sobre outras partes do mundo”. Nós discutíamos sobre isso um dia e ela disse “Olhe, eles dão todo esse dinheiro para grupos internacionais de caridade e acho que deveríamos fazer isso também", e eu disse “Porque não damos para nossos grupos americanos de caridade?" Nosso sistema de ensino precisa de dinheiro, é provavelmente nossa culpa, mas eu disse isso a ela e ela me sugeriu que escrevesse uma música sobre isso, e eu fiz. O engraçado é que eu compus e ela disse, “Na verdade eu esperava uma música lenta” [risos]

Ryan: [rindo] Ela estava esperando uma balada?

Tim Owens: Sim, acho que ela estava pensando que eu ia escrever sobre a fome e os problemas no mundo, mas acabou tendo essa introdução pesada, ficou meio "não era isso que eu queria". A intro é quase um verso, porque pra mim ela não se encaixava com os outros versos. Um verso é sobre a malaria na África e crianças morrendo todo dia, e outro é sobre uma cidade poluída na Rússia que é tão suja que neva preto. A introdução é sobre outras partes do mundo, com crianças no parque brincando e se divertindo nas ruas ou algo assim, e de repente um homem bomba suicida vem e explode tudo, tiros começam a ser disparados, e pessoas morrem.

Ryan: Tudo isso as pessoas podem relacionar com o que acontece com o mundo atualmente.

Tim Owens: Exatamente.

Ryan: Poderia essa ser a primeira música com consciência social que você escreveu?

Tim Owens: Não, eu fiz umas no Beyond Fear. “Telling Lies” era mais política. Eu via o jornal e ele dizia como o presidente abusou de mentiras. Não era exatamente minha opinião sobre o assunto, mas eu tenho assistido aos noticiários da CNN e não à Fox news, porque eles iriam dizer como era ótimo o presidente Bush. Então eu tive outras músicas assim no disco, e vão haver mais no próximo.

Ryan: Talvez seja minha impressão, mas parece que na faixa título você conseguiu colocar mais garra ainda na sua performance, para interpretar o personagem da música.

Tim Owens: Sim. Foi uma das primeiras músicas que eu escrevi, e mudei ela com o tempo, não musicalmente, mas no que diz respeito á voz. Acho que deixei mais forte. A música foi composta para ser sobre corridas da NASCAR e tirei um verso anos atrás e diminuí a música. O verso que tirei era a que mais dizia sobre a música. Não assisto muito à corridas da NASCAR, mas quando estava na casa de meu pai, ele assistia. É sobre um cara em um carro indo bem rápido e você não consegue pará-lo.

Ryan: Eles ficam um pouco doidos na NASCAR.

Tim Owens: Ficam. Quando eu assistia, as cores e pessoas viravam borrões, então é mais ou menos essa a idéia. Acabou sendo mais sobre qualquer um ou mim mesmo e como você não tem como me impedir de fazer o que faço. Foi divertido.

Ryan: Você conseguiu um elenco de estrelas de músicos. Você pensou em ter chamado alguém do Judas Priest?

Tim Owens: Não. Pensei em entrar em contato com eles mas imaginei que estariam muito ocupados, e eu não achei que fosse dar certo. Não saberia como fazer dar certo. Quando olhei a agenda e vi que eles não estariam disponíveis, imaginei que nem deveria tentar. Adoraria fazer isso no próximo disco, apesar de provavelmente não ter tantos convidados da próxima vez, vou reduzir um pouco. Esse foi meio que ‘vamos lá e fazer isso’, mas o próximo vai ter provavelmente metade do número de pessoas. Esse foi um disco dos sonhos, quis fazer com todos.

Ryan: Você conseguiu colocar todo mundo no estúdio ou eles enviaram suas partes pelo correio?

Tim Owens: Poderia te contar mais dos que não estiveram no estúdio. Bobby Jarzombek foi o único baterista a fazer sua parte em seu estúdio ou no do Bob Kulick, em LA. Das guitarras, a parte rítmica foi gravada no estúdio, e todo o baixo exceto uma, a do David Ellefson em “To Live Again”. Neil Zaza gravou seu solo em seu estúdio aqui em Akron, ele tem um ótimo estúdio então ele fez lá.

Ryan: Tem sido uma primavera ocupada para você. Teve a turnê japonesa com o Yngwie. Você esteve ocupado tocando com o Hail! e David Ellefson, Jimmy DeGrasso e Andreas Kisser, você teria uma turnê maior no México, e em poucos dias você estava na Europa com sua banda para abrir os shows do Heaven and Hell.

Tim Owens: O problema é que no México houveram adiantamentos até Julho por causa da gripe suína, mas eu estou disposto a ir lá durante o mês todo de Julho.

Ryan: Apenas tenha cuidado quando for para lá. Se você começar a guinchar como um porco depois de uma gripe, você vai estar encrencado.

Tim Owens: Eu sei. Fiz minha própria máscara com um tanque de oxigênio. Vou carregar ela comigo. Vai parecer um pouco estranho no México, mas fazer o quê.

Ryan: [rindo] Você poderia usar no palco.

Tim Owens: Também tenho uma daquelas roupas amarelas para que eu não tenha contato com nada. Minha voz vai ficar um pouco abafada mas acho que entenderão.

Ryan: Só falta você cantar em uma bolha.

Tim Owens: Não me dê idéias, tudo o que precisamos para o palco é uma banda em uma bolha. (risos)

Ryan: Você deve ter acumulado muitas milhas de vôo.

Tim Owens: Sim. Só no ano passado, estive no Chile, Brasil, Chile de novo, Japão, Grécia, Turquia e Áustria, foi uma loucura. Os caras estarão voando em alguns dias, Simon Wright, David Ellefson, Chris Caffery e John Comprix, que vive em Cleveland. É uma ótima formação e muito amigos, vai ser ótimo e estou ansioso. Vamos abrir para o Heaven and Hell em algumas datas e vamos ser atração principal também. Vamos ao Download Festival e Sweden Rocks então vai ser muito legal.

Ryan: Você vai levar essa formação para os Estados Unidos?

Tim Owens: Espero levar essa banda ou outra formação com estrelas. Se o David não puder fazer mais shows por razão de outras obrigações, então terei outra pessoa pronta pra ir, que é o Dennis Hayes, que está no Beyond Fear comigo e que tocou no disco. Ele é um cara da região e é ótimo, então tenho ele na reserva. Posso conseguir o Rudy Sarzo. Posso montar uma ótima banda. Podia ir mudando aos poucos e acho que seria um atrativo. Você coloca o nome da banda bem grande, coloca Tim “Ripper” Owens em uma turnê solo com sua banda, com seus nomes bem grande, como o meu é um grande atrativo. Poderíamos ir á todo os EUA, até o House of Blues e ir a lugares menores. Por outro lado, seria muito legal também ser banda de abertura para alguém, para termos mais exposição.

Ryan: Falando de Yngwie, achei que você mandou muito bem nesse último disco, "Perpetual Flame". Nada contra os cantores anteriores, mas percebi que finalmente ele quis pegar um cara que cantasse como um homem de verdade.

Tim Owens: [risos] Bem, ele teve ótimos cantores, sem dúvida. Tenho um estilo diferente, mas pegar todo esse material de outros cantores e cantar é algo espantoso. Foi divertido e espero trabalhar mais com ele, porque foram ótimos shows. Nos divertimos muito no estúdio e em turnê então espero que dê certo.

Ryan: Falando de diversão, me conte mais sobre o Hai"l, porque parece ser ótimo. Eu vi o repertório de músicas de vocês e digo que eu gostaria de ver vocês tocando.

Tim Owens: É bem divertido e é por isso que estamos fazendo. Queríamos sair e tocar em locais diferentes como Chile e Grécia, locais onde você não vai direto com as bandas. Isso foi o que deixou a coisa toda legal. Queríamos ir a lugares diferentes, e fazer os fãs nos verem de um jeito diferente, então foi divertido.

Ryan: Última pergunta. Você não parou um segundo nos últimos doze anos. Teve algum momento em que você pensou estar em um sonho doido?

Tim Owens: Realmente. Estou ocupado agora como nunca estive em minha carreira. Olhando pra trás, vejo que tem sido uma loucura, sabe? É inacreditável pensar nisso, em tudo o que fiz e em todo mundo com quem trabalhei. É incrível.