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2009 - Ultimate Guitar
Brazil Under Ice - Iced Earth Official Brazilian Site
Brazil Beyond Fear - Tim "Ripper" Owens Official Brazilian Site

Traduzido por Rodrigo Batata.

Ultimate Guitar: Você poderia nos fornecer algumas informações sobre "Play My Game"?

Tim Owens: Depois que eu sai do Iced Earth, nós começamos a conversar sobre a possibilidade de fazer algumas músicas para o próximo álbum do Beyond Fear. Minha empresária, Wendy Dio, comentou que seria uma ótima hora para lançar um disco solo, então as engrenagens começaram a se mexer. Comecei a escrever algumas músicas e fazer alguma ligações. O projeto começou a tomar vida e vieram todos essas grandes musicas que estão em "Play My Game". Nós gravamos o álbum em Los Angeles e o processo todo começou a um ano atrás.

Ultimate Guitar: Você sempre quis gravar um álbum solo?

Tim Owens: Realmente não sei se eu sempre quis fazer isso ou não. No começo eu não estava certo se eu queria um álbum solo ou não. Agora foi definitivamente o momento certo para isso creio eu, e Wendy fez exatamente o que era preciso ser feito. Foi o momento certo para eu ir atrás de algo que eu queira fazer, onde eu não fosse influenciado por ninguém ou por nada mais e pudesse completar meu próprio álbum.

Ultimate Guitar: Você gostou de ter mais controle sobre a gravação?

Tim Owens: Eu gostei disso. Obviamente eu tenho bastante controle no Beyond Fear, mas isso foi obviamente um passo a frente. Se eu quisesse alguém para tocar em "Play My Game", ou não, então eu tinha o poder de decidir isso. Eu podia decidir o som que eu queria para as músicas que eu estava escrevendo para o álbum. Esse foi o máximo de controle que eu jamais tive, definitivamente. Isso foi fantástico.

Ultimate Guitar: Você se sentia ligeiramente restringido enquanto era parte do Judas Priest e do Iced Earth?

Tim Owens: Sim, eu era restringido. Eu realmente não podia escrever com o Judas Priest, mas atualmente eu entendo a situação com o Judas. Isso realmente não me chateia. Acho que isso me chateou mais com o Iced Earth, eu sentia que poderia ter contribuído mais naquele momento. Eu realmente não pude contribuir, então eu me senti mais restringido no Iced Earth, no meu entendimento. Eu entendo isso com ambos os grupos. Isso me fez seguir em frente e guardar esse material para o meu próprio projeto.

Ultimate Guitar: Em termos de composição, você aprendeu bastante enquanto membro do Judas Priest?

Tim Owens: Algumas das músicas que eu compus (para o Beyond Fear e para o "Play My Game") foram escritas enquanto eu era um membro do Judas Priest. A música "Play My Game" foi escrita enquanto eu era do Judas Priest. "The Faith" e "Save Me", do primeiro álbum do Beyond Fear, foram escritas para o Judas Priest. Eu escrevi algumas músicas e apresentei para os caras do Priest. Eles acharam que aquele não era o tipo de material que eles queriam, e então tudo bem. Eu adoraria ter composto alguns vocais para o Priest. E essa foi a razão de eu ter escrito "Scream Machine" para o Beyond Fear. Eu queria mostrar que enquanto eu estava no Judas, eu podia ter feito alguns vocais se eles tivessem me dado algum material.

Ultimate Guitar: Das músicas do "Play My Game", quantas foram escritas a algum tempo atrás?

Tim Owens: Duas faixas do "Play My Game" foram escritas alguns anos atrás, essas músicas são a faixa titulo e a "It Is Me", mas elas foram reestruturadas da gravação. "Play My Game" ficou bem maior do que a sua versão original e tem mais versos, também removi alguns versos e mudei um pouco a melodia.

Ultimate Guitar: Como você selecionou as faixas para "Play My Game" e como decidiu que elas seriam mais apropriadas para sua carreira solo? Como você disse, você tem bastante controle no Beyond Fear. Portanto, enquanto estava escrevendo, você sentia que esse material podia ser transferido para o Beyond Fear?

Tim Owens: O grande fato que separa "Play My Game" e Beyond Fear é o fato de que o material do Beyond Fear é escrito por mim, John Comprix e o novo guitarrista Matt Sorg, nós escrevemos as músicas juntos. Com "Play My Game", todo o material foi escrito por mim ou eu realmente tinha o controle do que estava acontecendo com as músicas. Se o Bob Kulick escrevia uma música para mim, eu podia ouvi-la e pensar se aquela música era o ideal para o que eu queria fazer, ou não. Eu podia aceitar ou rejeitar a música. Eu podia fazer tudo isso. O Beyond Fear são os esforços de um grupo e eu não posso tomar decisões sozinho para o grupo.

Ultimate Guitar: Como você chegou a músicos como Bob Kulick e Chris Caffery para escrever algumas musicas para "Play My Game"?

Tim Owens: Eu os conheço a anos. Eu conheci Chris em 96 e nós somos bons amigos. Eu e Bob aparecemos juntos em alguns álbuns há anos. Muitos dos caras que aparecem em "Play My Game" são meus amigos. Michael Wilton, Jeff Lomis, Bobby Jarzombek, grandes músicos que são amigos. Também fiz alguns novos amigos que só conheci após participarem de "Play My Game", Billy Sheehan por exemplo. Tendo várias estrelas convidadas e encontrá-los, é algo fantástico.

Ultimate Guitar: Como você descreve o processo de composição entre você e músicos como Bob Kulick, Chris Caffery e os outros?

Tim Owens: Eu escrevi 6 faixas de "Play My Game" sozinho. Para as outras músicas eu apenas perguntei para os caras se eles queriam escrever uma música para o álbum. Chris me enviou uma música, chamada "The Shadows Are Alive". Eu tinha essa música por um tempo e quando a ouvi, comecei a cantá-la e vi que ela saiu absurdamente fantástica. Com Bob foi basicamente o mesmo processo. Eu perguntei para o Bob se ele tinha algum material e ele tinha. Ele me enviou o material que ele tinha escrito e eu apenas respondi "Wow, isso é otimo". Em seguida eu escrevi as letras para as músicas e as melodias. Foi assim que aconteceu, na maioria. Eu apenas perguntava se alguém queria escrever uma musica e eles queriam. Eu deixava eles a vontade e perguntava se eu podia usar a música ou não.

Ultimate Guitar: Existe alguma faixa que foi gravada e ficou de fora do track list de "Play My Game"?

Tim Owens: Não, com excessão da "A Challenge" que é exclusiva para download pelo iTunes. "A Challenge" é uma faixa realmente muito legal que eu escrevi com Bob Kulick e tem o Vinnie Apice na bateria. É realmente legal, um tipo de música diferente para mim. Fora isso, não gravamos nenhuma música a mais. Nós escrevemos e gravamos todas músicas.

Ultimate Guitar: Porque você escolheu um time de músicos convidados para gravar "Play My Game" ao invés de ter os mesmos músicas gravando todas as faixas do álbum?

Tim Owens: Eu achei que seria uma ótima maneira de abordar o "Play My Game". Achei que seria uma ótima maneira de enfatizar que este é meu álbum solo, e que eu posso fazer o que eu quiser. Minha primeira escolha seria de contratar vários grandes músicos que poderiam tocar comigo durante o álbum e fazer isso parecer dessa maneira, que eu contratei todos esses caras. Em um mundo perfeito, eu apenas chamaria os caras do Beyond Fear e gravaria um álbum solo. Mas pense, minha carreira solo se tornaria o Beyond Fear, o que é muito ruim (risos). No que diz respeito a qualidade dos músicos, os caras do Beyond Fear estão no topo. Eu amo tocar com eles, então eu tive que fazer algo diferente. Eu não me senti como se estivesse montando uma banda para "Play My Game", desde que eu já sou parte de uma que tem os melhores músicos. Eu apenas achei que seria melhor completar o meu álbum solo com um line-up de estrelas.

Ultimate Guitar: Você procurou chamar músicos para o seu álbum, mais como um fã de música, procurando chamar músicos que você adoraria trabalhar junto?

Tim Owens: Claro que sim! Alguns músicos não puderam tocar no álbum por causa de tempo. Eu queria que John 5 (guitarrista, atual Rob Zombie) tivesse tocado no álbum, bem como o George Lynch. Nós falamos várias vezes sobre ele tocar no álbum, mas nós nunca conseguimos algum tempo para que ele pudesse fazer as suas partes. Neil Zaza, que é um ótimo guitarrista local aqui da região, eu queria que tivesse tocado no álbum. Nós tivemos que tirar alguns ótimos nomes, nomes que eu não queria deixar de fora. Ter esses músicos seria realmente fantástico.

Ultimate Guitar: Então você teve que tirar esses caras por conflito de agendas?

Tim Owens: Isso, as agendas sempre foram um problema. Corey Beaulieu do Trivium estava interessado em participar e o Andreas Kisser do Sepultura também. Andreas e eu trabalhamos em algum material, então eu queria que ele tocasse em uma música. Mas ele disse que não podia, pois ele estava saindo em turnê no dia seguinte. Então como não pudemos fazer uma parte aqui ou ali, isso teve que ser deixado de lado.

Ultimate Guitar: Como você fez para ter certeza de que "Play My Game" não soaria sem um consistência? Se você tem tantos músicos convidados é fácil com que o som acabe indo em várias direções diferentes.

Tim Owens: Um dos principais elementos que nós tentamos implementar foi ter todas as guitarras base e baterias gravadas no mesmo estúdio. Na verdade, a maioria das músicas do álbum foi gravada em um único estúdio, por mais estranho que pareça. A maior parte das guitarras base foram tocadas por Bob Kulick e John Comprix e isso ajudou. Durante "Play My Game" eu me preocupei em obter uma coesão. O álbum soa bem e também soa coeso. Esse era o aspecto que eu mais queria alcançar, então eu penso que o álbum não soaria assim se tivesse sido gravado em vários lugares com todos esses caras.

Ultimate Guitar: Foi importante ter músicos como Bob Kulick e John Comprix atuando como uma base como você disse?

Tim Owens: Claro, definitivamente eu precisava de uma base sólida, que era um grande fator. Michael Wilton tocou algumas guitarras base em uma música ("To Live Again"), enquanto Mike Callahan tocou guitarra base na faixa que ele escreveu ("Pick Yourself Up"). Tendo esse músicos tocando essas músicas, eu não queria que o álbum soasse como um "tributo", ou um desses álbuns que todo mundo toca e todas as músicas soam diferentes. Isso é ótimo para um tributo, mas esse álbum não é um tributo. "Play My Game" é sobre manter essa coesão e conseguir atingir esse nível de alguma forma.

Ultimate Guitar: Houve algum tópico, na parte lírica de "Play My Game" que você pode explorar, que você não havia tido a chance de fazer em outros álbuns onde você participou?

Tim Owens: Não. As letras do álbum são bem abrangentes. Mais uma vez, eu acho que as letras do álbum tem muito do "Beyond Fear", que é um álbum que aborda vários tópicos. "Play My Game" aborda vários tópicos, perder alguém amado, naves espaciais, encobrir escândalos políticos ou relacionamentos passados. Não importa sobre o que seja o assunto, tudo é sobre "Play My Game". "Play My Game" tem uma música sobre carros e uma música sobre coisas maléficas no escuro, por exemplo. Realmente, as músicas do álbum falam sobre qualquer coisa, e é assim que eu sempre escrevo. Não sou um escritor de "Dungeons & Dragons" (um dos jogos de RPG mais famosos mundialmente) e também não sou um compositor que escreve sobre assuntos sentimentais o tempo todo. Sou um compositor que vai escrever sobre qualquer coisa. O que vier a mente e qualquer coisa que eu sentir que possa ser escrito, eu irei escrever.

Ultimate Guitar: Como letrista, você gosta de ser abrangente?

Tim Owens: Gosto. Todos os reais escritores querem ser abrangentes. Escritores não querem se restringir em escrever sobre apenas um assunto e ser eternamente presos a ele. Escritores de verdade escrevem sobre tudo.

Ultimate Guitar: Descrevendo seu processo de composição, você prefere a era Dio no Sabbath. Como grupos como esse influenciam seu processo de composição?

Tim Owens: Esses grupos usam guitarras que são pesadas, melódicas que vão direto ao ponto. E tem aquela voz lisa e melódica que desenvolve o tom e conta uma história. Esses antigos álbuns são fantásticos e certamente influenciaram o jeito que eu componho. Eu não quero fazer um álbum que soe como o "British Steel" ou o "Heaven and Hell" no final, mas esses álbuns me influenciaram. Esse é a grande questão sobre isso. Eu não quero ser uma cópia feita com papel carbono. Eu pego minhas influencias desses grupos, e sigo essas influencias no que eu quero fazer.

Ultimate Guitar: Você se definiria como um escritor de hinos (músicas fáceis de se cantar pela platéia)?

Tim Owens: Claro, com certeza sempre me senti assim. Eu li que algumas pessoas disseram que "Save Me" não tem um refrão fácil de se lembrar, mas eu discordo cem por cento. Ouvindo músicas como "Save Me" e "Starting Over", eu acho que os refrões delas são memoráveis e bem passionais. Quando eu escrevo uma música, a música será levemente mais básica. Você pode facilmente erguer suas mãos e cantar junto com a música.

Ultimate Guitar: Durante os últimos anos, você sente que se desenvolveu como compositor?

Tim Owens: Sim, com certeza eu melhorei em termos de melodia e em termos de ter mais liberdade do que fazer com as músicas. Facilmente posso ver que minhas composições melhoraram e mudaram, todos melhoram e mudam suas composições. Também descobri que não existe um caminho simples para escrever uma música. Trabalhei com alguns músicos no passado que falavam "É assim que você escreve uma música, e essa é a única maneira de escrever. Se você não escreve músicas assim, então você não é um compositor". Essa é a maior besteira que eu já ouvi, você pode escrever uma música da maneira que você quiser. Eu posso escrever as letras primeiro ou escrever as letras depois que o instrumental estiver pronto. Posso escrever as partes de guitarra primeiro se eu quiser também. Tudo que envolve o "Play My Game" foi escrito de maneiras diferentes e em diferentes lugares. Esse é o grande aspecto de quando você está compondo. Não há um caminho especifico para escrever músicas e quanto mais eu escrevo, mais eu percebo isso. Se alguém diz que há um jeito específico de escrever músicas, e tem pessoas assim, então eles estão completamente errados. Você pode escrever uma música da maneira que você quiser. Isso é muito legal.

Ultimate Guitar: Você vai gravar um vídeo para alguma música do álbum?

Tim Owens: Eu não sei se iremos ou não. Hoje em dia, não sei o quão bom ficaria um vídeo. Temos que ver. Eu realmente não tenho certeza, talvez nós façamos.

Ultimate Guitar: Você tem planos para fazer uma turnê de promoção do álbum?

Tim Owens: Sim, nós vamos começar a excursionar. Vamos tocar no Sweden Rock e no Download Festival. Temos alguns outros shows agendados por ai e vamos tentar excursionar o máximo que pudermos.

Ultimate Guitar: Que músicos vão te acompanhar nesses shows?

Tim Owens: Chris Caffery vai ser um dos guitarristas, Simon Wright da bateria, David Ellefson do baixo e John Comprix vai ficar com a outra guitarra.

Ultimate Guitar: Esse é um line-up muito forte.

Tim Owens: É um ótimo line-up, e isso é ótimo por vários aspectos. Vamos sair com esse fortíssimo line-up mas podemos sempre mudá-lo. Eu sempre posso mudar um pouco, então isso é legal. Esse é o line-up mais perfeito que eu poderia ter. Isso é fantástico.

Ultimate Guitar: Você pretende lançar outros álbuns solo no futuro?

Tim Owens: Eu espero que sim. Meu objetivo é fazer mais álbuns solo. Vou lançar o "Play My Game" e excursionar pelo mundo. Eu quero levar o álbum para qualquer lugar que a Wendy Dio, a SPV ou qualquer outro queira. Farei isso e quando terminar, vou fazer outro álbum do Beyond Fear.

Ultimate Guitar: Quais os planos para o Beyond Fear?

Tim Owens: No momento eu vou começar a escrever mais músicas para o novo álbum. Vou fazer algumas entrevistas para o "Play My Game" esse mês. Eu iria viajar para o México para fazer uma turnê, mas tivemos que adiar devido a gripe suína. No momento meu objetivo é escrever material para o Beyond Fear. Eu tenho algum material que preciso trabalhar, então eu tentarei completa-lo para o Beyond Fear enquanto eu estiver parado.

Ultimate Guitar:
Você tem alguma mensagem para os seus fãs?

Tim Owens: Curtam a música. Esse é o tipo de música que você pode sentar, curtire se divertir. Mantenha sua cabeça erguida.