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Brazil Beyond Fear - Tim "Ripper" Owens Official Brazilian Site

Transcrito e traduzido por Cris McBrain.

Tim, você está muito ocupado ultimamente, com seu álbum solo, o álbum com Yngwie. Fale um pouco sobre esses trabalhos.

Tim Owens: Realmente, estou bastante ocupado. Eu praticamente chego em casa de uma gravação com o Yngwie e já vou pra Los Angeles, onde estou gravando meu álbum solo.

Por que um álbum solo agora, quando todos estavam esperando o segundo do Beyond Fear?


Tim Owens: Pra ser honesto, eu gostaria de fazer o Beyond Fear agora, mas foi uma decisão da gravadora e do meu empresário. O álbum do Beyond Fear já está composto, e como eu disse, eu preferia gravá-lo antes, mas eles acharam que seria uma boa idéia ver o que eu conseguiria fazer agora. Temos muitos bons músicos e boas canções neste álbum, então agora que está tomando forma, estou bem empolgado. E eu sei que isso vai acabar fazendo com que o álbum do Beyond Fear seja ainda melhor, pois este solo me dá espaço para crescer mais como compositor. E eu sei que o Beyond Fear será mais brutal, pois o material um pouco mais leve, como "Save Me" e "I Dont Need This" do primeiro álbum, eu vou colocar no meu álbum solo. E coisas como "And...You Will Die" e "Scream Machine" ficarão para o Beyond Fear.

Já faz quase um ano que você saiu do Iced Earth. O que mudou, daquele período inicial, para agora?


Tim Owens: Da minha parte, eu não presto muita atenção ao que está acontecendo com eles, e tampouco me importo. E todo mundo com quem eu venho trabalhando desde então, eles não comentam sobre isso, então é muito legal, pois eu também não falo disso. É uma parte da minha carreira que eu gostaria de deixar para trás, e é bom não falar sobre isso. Eu poderia simplesmente contar tudo que realmente acontece nos bastidores, mas não seria bom a gravadora descobrir isso, nem para os membros da banda, então eu prefiro não comentar. Honestamente, eu desejo ao Iced Earth toda sorte do mundo, mas tenho coisas melhores acontecendo na minha vida agora.

Mudando de assunto, como você foi parar na banda do Yngwie?


Tim Owens: Na verdade, tudo começou na época em que gravei Mr. Crowley para o tributo ao Ozzy. Eu não cheguei a conhecer o Yngwie nessa ocasião, mas então em um dos shows do Judas Priest ele e sua esposa apareceram, foi por volta de 2001 ou 2002. Bom, ele me ligou em novembro do ano passado para ver se eu estava disponível, e foi uma boa hora, pois eu não estava feliz no Iced Earth, e era um ponto na minha carreira em que eu estava começando a procurar outras coisas para fazer. Começamos a conversar, e em janeiro eu me tornei disponível (risos). Então nos juntamos, e eu gostei da música que ouvi, gostei da conversa que tive com ele, gostei do fato de poder fazer turnê com ele, mas ao mesmo tempo não estar tão comprometido como eu era no Iced Earth, onde era algo do tipo "Certo, Tim, é hora de se dedicar ao Iced Earth. Você não pode fazer nada no ano que vem". E está sendo tudo ótimo. Já ganhei o dobro de dinheiro do que ganharia se tivesse continuado no Iced Earth, o que é bem legal. E estou gravando um álbum solo ao mesmo tempo, então é muito bom. Eu pensei muito sobre isso, pois muitas pessoas vieram me dizer que eu não deveria tocar com o Yngwie, mas acho que eles não sabiam que isso não faria com que eu ficasse disponível para fazer qualquer outra coisa. Mas o meu álbum solo vai sair, o Beyond Fear vai sair, e estas serão minhas prioridades. Mas tocar com o Yngwie tem sido realmente ótimo, gostei muito do novo álbum. Fizemos uma turnê pela Europa e não tive nenhum problema com ele (risos). Todo mundo pergunta "cara, como você se dá com ele?", mas está sendo absolutamente fantástico. Vê-lo tocar também é maravilhoso, e nesse sentido, tenho tido muita sorte ultimamente. Semana passada eu estava em Los Angeles trabalhando no meu álbum solo, e decidimos ligar para o Billy Sheenan, para ver se ele poderia tocar duas músicas, e ele concordou. Dois dias depois, ele estava no estúdio tocando duas música que eu compus, e foi inacreditável. Num dia estou vendo Malmsteen detonar na guitarra, e no outro Billy Sheenan, é fantástico.

Acho que o mais interessante em você tocar com o Yngwie, é a dinâmica existente entre vocês dois. Enquanto ele sempre teve bons vocalistas na banda, como Joe Lynn Turner, Jeff Scott Soto e Mark Boals, ele nunca teve alguém que realmente "comanda" o palco junto com ele. Mas tendo visto você com o Priest, Beyond Fear, sabemos que é o que você faz, você assume o comando. E sendo assim, você acha que isso ainda vai causar algum tipo de problema com ele?

Tim Owens: Ele realmente parece gostar disso e nossa presença de palco é ótima. As pessoas têm que entender que é o palco do Yngwie, a banda se chama "Yingwie Malmsteen", entende? Mas eu faço o que quero. Nas primeiras músicas do show, eu canto de boné, como fazia no Judas Priest, eu adoro fazer isso. Mas no Iced Earth, não me deixavam. Então é bom ter uma pessoa que não me diz o que fazer ou deixar de fazer. Mas na verdade eu tenho que tomar cuidado no palco, pois aquela guitarra está em todo lugar. Ele gira a guitarra, joga de um lado pro outro, e também usa muita fumaça, então realmente tenho que tomar cuidado com a "guitarra voadora" (risos). Eu já tinha ouvido essa história, me disseram "Ele vai fazer você ficar parado em um lugar", mas acho que tenho sorte de estar tocando com o Yngwie neste momento da carreira dele, ele está sóbrio há 3 anos, enfim. É fantástico.

Eu ouvi o álbum Perpetual Flames, e parece que ele une o melhor dos dois mundos. É definitivamente o que você esperaria do Yngwie, e apesar de a música ser um pouco mais leve do que você faz normalmente, você está berrando pra caramba, cara, está ótimo.

Tim Owens: É um bom álbum realmente. Eu mostrei a alguns amigos que não conheciam muito do Yngwie, e eles acharam que o álbum ficou mais pesado do que imaginavam, porque pensavam que ia ser algo mais ou menos na linha do que o Mark Boals fez com o Yngwie. Mas o álbum está realmente ótimo, foi muito divertido gravá-lo, acho que os fãs vão gostar. Os caras da banda acharam que é um dos melhores álbuns do Yngwie em muito tempo, e eu concordo. É um álbum sólido, não há duvidas. Ele está muito animado com as coisas ultimamente, a capa da Guitar World, entre muitas outras coisas boas que vem acontecendo.  E realmente, como você disse, minha personalidade está ali. E o que foi legal de gravar este álbum, é que, diferentemente dos últimos álbuns que eu fiz, com o Priest e Iced Earth, especialmente no Iced Earth, nos quais havia milhões de vocais, que eram gravados milhares de vezes, e sempre aquela preocupação com tudo - o que no final ficou ótimo, sem dúvidas – mas com este do Yngwie, foi simplesmente "vai, cante" e muitas vezes no segundo take ele falava "ótimo, você conseguiu, continue assim". E foi ótimo fazer as coisas assim. É claro que eram as melodias e músicas dele, mas foi bom ter essa liberdade.

Você já testemunhou o Yngwie "liberar sua fúria"?

Tim Owens: Não, mas fazemos piada com isso todo dia (risos). Ele diz algo e nós "ei, Yngwie, libere sua fúria!". Mas sério, não mesmo. É claro que ele fica meio bravo às vezes, mas quando ele ainda bebia, acho que tinha muito mais fúria para liberar. Mas ele realmente é um cara grande, é alto, tem mãos enormes e tudo mais, então não sei se eu ia querer que ele liberasse a fúria (risos).

Voltando ao Judas Priest, tenho certeza de que você sabe que eles lançaram o cd duplo Nostradamus, que levantou bastante controvérsia, há gente que amou e gente que odiou. Você ouviu? E o que achou?

Tim Owens: Eu ainda não ouvi o álbum, na verdade, só algumas músicas. Fizemos alguns festivais com eles na Europa, então eu assisti o começo do show, mas eles sempre tocavam muito tarde, então eu tinha que ir dormir, pois estou ficando velho (risos). Mas a faixa "Nostradamus", com a qual eles abrem o show, é realmente muito boa. Mas o meu problema é que eu gosto de colocar um álbum e simplesmente curtir. E esses álbuns épicos e tal, é difícil que eu os coloque pra ouvir. Você nunca vai ver um álbum do Beyond Fear ou da minha carreira solo assim. Mesmo o álbum do Yngwie, tem muitos solos de guitarra, mas ainda assim as músicas são diretas. Provavelmente quando eu pegar o álbum do Priest pra ouvir, vou separar as músicas que eu gostar e fazer meu próprio cd de 10 ou 12 músicas, entende?. Como no caso do "Framming Armageddon", quem comprou o álbum e não tirou toda aquela porcaria do meio e fez um cd só com as músicas? (risos) Eu sei que é uma história, mas enfim. O lance com o "Nostradamus" é legal, porque eu acho que o "Nostradamus" disse que haveria um álbum sobre ele em 2008, ele não previu isso? (risos)

Quando o Judas Priest veio fazer shows aqui recentemente o Rob foi entrevistado e disse que somente um gay poderia ser o vocalista do Judas Priest. Você ficou sabendo, e o que acha?

Tim Owens: Eu achei engraçado. Isso deve ter sido tirado do contexto, não acho que ele simplesmente diria isso, acho que ele provavelmente disse de forma humorística também. Obviamente ele está de volta à banda e fazendo muito sucesso, mas acho que esse comentário não foi sério. Rob é o Rob, é um grande "front-man" e um grande vocalista, e realmente não acho que tenha sido sério, ele não diria algo assim. Somos amigos e nos damos muito bem, e esse comentário não me ofendeu em nada.