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2007
- Pivotal Rage
Brazil Under Ice - Iced Earth Official Brazilian Site
Brazil Beyond Fear - Tim "Ripper" Owens Official Brazilian Site
Traduzido
por Cristiane McBrain.
PIVOTAL
RAGE: Corrija-me se eu estiver errado: originalmente, você foi
chamado apenas como músico convidado, para cantar no "The Glorious Burden",
quando Matt saiu. É isso mesmo?.
TIM
OWENS: É. Inicialmente a idéia era de eu ser um convidado no
álbum. O Matt tinha acabado de sair, e algum tempo antes, Jon e eu
tínhamos conversado sobre trabalharmos juntos em um projeto. Eu não tinha
idéia de que acabaríamos trabalhando no Iced Earth. Quando ele me chamou,
eu vi isso como uma oportunidade de trabalhar com ele. Na época eu ainda
estava no Judas Priest, mas eles não estavam planejando nada por um tempo.
Eu estava disponível e muito ansioso pra trabalhar com o Jon. Acho que
tudo se encaixou. Jon precisava de um cantor e o Judas teve o Halford de
volta na banda. Tenho muito orgulho de ter feito parte do "The Glorious
Burden".
PIVOTAL RAGE: Quando você e Jon se conheceram?. E quando vocês
começaram a falar sobre trabalharem juntos?.
TIM OWENS: Como eu disse, havia uma conversa sobre fazer um
projeto, algo parecido com o que Jon fez no Demons & Wizards, não tinha
nada sobre o Iced Earth. Eu conheci o Jon quando ele veio nos bastidores
se encontrar com o Judas Priest. Nos demos bem imediatamente. Mantemos
contato por telefone e desenvolvemos uma ótima amizade.
PIVOTAL RAGE: Como você se sente em relação ao seu trabalho no
Iced Earth em comparação com o que você fez no Judas Priest ou no Beyond
Fear?.
TIM
OWENS: Estou extremamente
feliz com a resposta que o Beyond Fear teve, sem dúvida foi o álbum que
teve as melhores resenhas dentre todos os que eu já participei. É muito
gratificante, pois eu compus as músicas, letras e melodias. É tudo meu. Eu
pude ter liberdade nos vocais, e isso é algo que eu nem sempre tive no
passado. O Iced Earth me permitiu compor mais do que qualquer outra banda
da qual já fiz parte, além do Beyond Fear. "Framing Armageddon" é o álbum
que mais exigiu do meu vocal até hoje, e é excelente. Tenho certeza de que
todos irão concordar quando ouvi-lo.
PIVOTAL RAGE: Você se aborrece com o fato de algumas pessoas se
referirem a você como o “antigo” vocalista do Judas Priest?.
TIM OWENS: Nunca. Não fico chateado por ser chamado de
“ex-vocalista do Judas Priest”. Tenho muito orgulho de ter feito parte
daquela banda! Aqueles caras foram e são meus ídolos, e eu fui parte da
banda e da história dela. Tive alguns ótimos momentos e tenho ótimas
lembranças de ter sido parte do Judas. A minha performance na música
“Blood Stained” é uma das que eu tenho mais orgulho. O que me aborrece é
quando me rotulam de clone do Rob Halford. Temos algumas semelhanças, mas
ao mesmo tempo somos bastante diferentes. É frustrante pra mim; posso
ouvir a diferença. É claro que o Rob foi uma influência, mas eu consigo
andar com minhas próprias pernas.
PIVOTAL RAGE: Parece que há dois diferentes tipos de fãs: os
fãs da “era Matt Barlow”, e os fãs do Iced Earth. Como você se sente em
relação ao fato de estar sob a mira dos fãs de Barlow?. Como você lida com
isso?.
TIM OWENS: Não estou muito preocupado com isso. E vou
acrescentar que há os fãs do Tim “Ripper” Owens que não são fãs do Iced
Earth. Eu respeito o Matt como vocalista. Ele tinha um estilo diferente,
uma voz mais grave. Eu também consigo fazer isso, mas o Jon está fugindo
dessa coisa. Acredito que muitas vezes os fãs não param de pensar no fato
de que Jon Schaffer compôs 90% das melodias quando o Matt estava na banda.
Se você for ver novamente as antigas entrevistas com o Jon, ele disse
isso. Eu compus no "The Glorious Burden", “Red Baron/Blue Max” é um bom
exemplo. Acho que há fãs que criticam a mudança sem ao menos parar pra
realmente ouvir a música. A banda não está tão diferente; apenas a voz
mudou. Jon escolheu uma voz natural e potente, e a prova pode ser ouvida
em “Ten Thousand Strong.”
PIVOTAL RAGE: Em relação ao conteúdo das letras e melodias,
você tem mais liberdade no Iced Earth ou no Judas Priest?.
TIM
OWENS: No Iced Earth, assim como no Judas Priest, há uma pessoa
que comanda o barco. No Judas essa pessoa era o Glenn Tipton e no Iced
Earth é o Jon Schaffer. No Iced Earth, eu tive mais oportunidades de
compor e influenciar nas melodias do que no Judas. Espero que minha
contribuição continue a aumentar em cada álbum. Estou empolgado com o
futuro do Iced Earth.
PIVOTAL RAGE: Você está confortável cantando o material
clássico do Iced Earth?. Quando eu vi vocês na última turnê, o verdadeiro
teste foi você cantando “Iced Earth”. Quando eu ouvi aquilo, você me
ganhou.
TIM
OWENS: Bem, obrigado. Fico feliz que você esteja ouvindo.
Sinto-me muito confortável cantando os clássicos. Acho que a razão pra
isso é que eu já era um fã da banda, então as músicas me eram familiares.
PIVOTAL RAGE: Jon estabeleceu novos limites por ter abordado
novamente a história de "Something Wicked". Conte-nos como "Framing
Armageddon" surgiu.
TIM OWENS: Bom, como você
provavelmente sabe, esse é um projeto que é muito íntimo e estimado por
Jon. Ele vinha querendo trabalhar nisso desde um ou dois anos depois que "Something
Wicked This Way Comes" foi lançado. Ele sempre teve vontade de lançar a
história. Tinha que ser na época certa; e não só a época, mas eu acho que
Jon também estava esperando pra ter a gravadora certa envolvida. Acredito
que o Jon sentiu que a antiga gravadora da banda não iria ter apoiado esse
álbum ou não teria dado a atenção que ele merece. A SPV nos apóia muito e
eles estão totalmente por trás do "Framing Armageddon".
PIVOTAL RAGE: “Ten Thousand Strong” é uma faixa épica e uma das
minhas favoritas do álbum. Pra mim, ela soa como se tivesse influência do
Blind Guardian, na maneira como os vocais estão colocados, bem “na cara”.
Qual sua faixa favorita no álbum, e por que?.
TIM
OWENS: Difícil dizer. No
momento, há três que eu realmente adoro. Como você disse, “Ten Thousand
Strong” é excelente. Há muita coisa acontecendo nela em relação aos
vocais. Também gosto de “A Charge To Keep,” e eu amo a maneira como “The
Clouding” evolui. Adoro o sentimento que aquela música me dá. Eu adoraria
que essas músicas entrassem de vez no setlist. Veremos o que vai acontecer
no final. Você ouviu o álbum?
PIVOTAL RAGE: Sim, ouvi um com um monte de voiceovers. (NT:
“voiceovers” são comentários que às vezes as gravadoras colocam no meio
das músicas, em cópias promocionais de álbuns).
TIM
OWENS: Bem, infelizmente a
gravadora teve que fazer isso, pois o pessoal da imprensa pega as cópias e
querem compartilhar. Teria ido parar na internet. Eu sei que o Jon não
ficou feliz com o fato de as cópias promocionais terem voiceovers, mas
atualmente o mundo dos negócios é assim.
PIVOTAL RAGE: Eu entendo. Teve um jornalista na Itália que
vazou o novo álbum do Dimmu Borgir e agora aquela gravadora manda as
cópias pra resenha num formato diferenciado. Mas de qualquer forma, é até
interessante que seja o Jon no voiceover. É um item colecionável.
TIM
OWENS:
É isso mesmo. Se você é um fã, você
realmente vai querer um.
PIVOTAL RAGE: Devo dizer que a performance ao vivo de
“Gettysburg Trilogy” foi memorável. Foi um jeito maravilhoso de fechar o
show. Sinto frios na espinha vendo e ouvindo vocês a tocando inteira, sem
perder uma nota.
TIM
OWENS: Obrigado. Foi um
grande desafio fechar o show com “Gettysburg Trilogy”. Era o final do
show, já tínhamos tocado 1 hora e 20 e terminamos tocando um bis de meia
hora, sem intervalos. Eu ficava esgotado algumas vezes, mas os fãs me
faziam continuar. Era como ter um segundo fôlego. No final, estávamos
exaustos.
PIVOTAL RAGE: Com o
aniversário do 11 de Setembro chegando, como você avalia a guerra contra o
terror até agora?. Se eu me lembro bem, você estava com o Judas Priest no
México, quando aconteceu.
TIM
OWENS: Exato, estávamos no
México, fazendo a turnê do "Demolition", e terminou bruscamente quando
aconteceu o ataque em Nova York. Naquela época, o Anthrax e o Iced Earth
estavam abrindo pro Judas. Eu prefiro não falar sobre política, não sou o
tipo de cara político, mas acho que nós devemos endossar e apoiar qualquer
decisão que nosso Presidente tenha feito. Você goste de George W. Bush ou
não, temos que nos unir. Acredito que não seja nenhum segredo que Jon é o
cara político nessa banda, e ele já deixou claro que é conservador. Há
coisas nas quais concordo com Jon, e há coisas nas quais discordamos. É do
mesmo jeito com meu irmão. Ele é esquerdista; há coisas nas quais concordo
com ele, e outras nas quais discordo profundamente. Eu só espero que
consigamos achar uma solução pra isso e tirar aquelas pessoas (os
militares) de lá brevemente.
PIVOTAL RAGE: Richard Christie mudou. Agora ele está no
programa de Howard Stern (NT: polêmico programa de comédia da rádio
americana), fazendo umas coisas exageradamente arriscadas lá na Sirius
(NT: emissora que transmite o programa). Você acha que isso era natural
nele? Há limites que são ultrapassados que me deixam balançando a cabeça.
Como ele era como colega de banda?.
TIM
OWENS: Bom, eu não sei
realmente o que ele tem feito lá, mas eu posso dizer que o Richard era um
cara daqueles lunáticos e palhaços, que tinha talento pra fazer as pessoas
rirem. Eu lembro dele sempre fazendo filmes caseiros e gravando coisas.
Além do fato de ser um baterista fantástico, creio que ele encontrou sua
vocação. Acho que ele realmente queria ter uma carreira fazendo comédia e
essa foi a oportunidade da vida dele. Eu não ficaria surpreso se quando o
programa de Howard Stern acabar, ou talvez até antes disso, nós víssemos o
Richard escrevendo pra um programa de televisão no horário nobre, ou
fazendo filmes. Desejo tudo de bom pra ele.
PIVOTAL RAGE: Estou ansioso pra vê-los ao vivo novamente, e
espero que vocês toquem em Portland, Oregon nessa turnê.
TIM
OWENS: Espero que sim.
Vamos trabalhar nisso, sem dúvida. Ainda não temos uma data confirmada mas
esperamos fazer uma turnê extensa na América do Norte. |