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2006 - Entrevista com Tim Owens e John Comprix

Beyond Fear é a nova banda formada pelo frontman do Iced Earth e anteriormente Judas Priest, Tim “Ripper” Owens. O auto-intitulado lançamento debut é um álbum sólido e pesado como o inferno que certamente fará deles househol name e ganharão uma legião de fãs. Lançado pela SPV Records, a banda fez sua primeira aparição na “Metal Insurgence Tour” em 2005 que os colocou ao lado de John Oliva’s Pain e Chris Caffery. Recentemente, Ripper e o guitarrista John Comprix estavam na cidade para um encontro com a imprensa para falar sobre a banda, o disco, a turnê e os planos para o futuro. Segue uma transcrição da conversa.

KP: - Primeiramente, parabéns pelo disco de estréia absolutamente matador do Beyond Fear. Tim, eu me lembro de que quando nos encontramos primeiramente com o Iced Earth em NY que você disse que queria fazer um disco solo se tivesse tempo e quando eu perguntei se seria pesado, você respondeu “ah sim vai ser pesado". É demais ver isso dando certo; como você se sente tendo feito o disco e com ele pronto para ser lançado?

Ripper: - Bem, é muito bom pra mim, mas infelizmente minha primeira opção de guitarrista não estava disponível (C.C. DeVille) para a guitarra (Tim se referindo a algumas das gravações de zoeira feitas antes da sessão principal) então eu peguei o John. Na verdade, era para o John estar na banda desde sempre, e eu sempre senti que seria confortável pra mim ter John Comprix de um lado e C.C. Deville do outro para suporte rítmico.

Comprix: - É, teria funcionado muito bem.

Ripper: - Voadoras, chutes e torcidas de pescoço. Falando sério, estou muito animado porque pra mim é algo que significa muito e é exatamente o que eu quero ouvir de música que eu gosto. Então, pra mim, significa muito levar isto para as pessoas ouvirem.

KP: - John quais são seus pensamentos sobre o lançamento?

Comprix: - Estou em êxtase, cara, sabe, estou pronto para isso. Pra mim, pessoalmente, é excitante porque Tim conseguiu viver o sonho dele, e agora é minha vez.

Ripper: - Agora é meu pesadelo! (risos)

Comprix: - Você sabe que eu me sinto abençoado em poder tocar com o Tim; faz anos que quero tocar com ele numa banda. Sou um grande fã dele; acho que ele é facilmente um dos melhores cantores no metal.

KP: - Facilmente, e eu não estou dizendo isso só porque ele está na distância necessária pra me bater (risos).

Comprix: - Estou realmente me divertindo com isso e eu acho que é um álbum sólido, não consigo esperar para todos ouvirem.

KP: - Então vocês estão totalmente impressionados com o resultado final ou agora que está pronto tem algo que vocês acham que "ah eu poderia ter feito isso..."

Ripper: - Sabe, é estranho porque você pensa um pouco assim, mas estou tão feliz com isso como nunca estive e eu fiz isso em muito menos tempo. Acho que gastei nesse disco o mesmo tempo que gastei para fazer os vocais do “The Glorious Burden”. Foi algo perto de 4, 5 dias no “The Glorious Burden” e 3, 5 dias neste, mas, quanto á coisa toda, fizemos tudo muito rápido. Foi assim porque estávamos muito preparados. O fato de sermos uma banda e estarmos trabalhando em partes nos deixou preparados para isso. Você vai sempre ouvir algo que vai te deixar pensando que poderia ter mudado um pouco, mas eu não vejo assim. As músicas são como foram escritas e como eram pra ser, e não as bagunçamos como outros fizeram. Eles terminam o disco, e então começam a “oh vamos tirar isso e mudar isso de lugar”; começam a fazer isso demais e tudo vira uma pilha gigante de merda. O jeito que o disco ficou quando compomos tudo é exatamente o jeito que queremos, e acho que é por isso que estou feliz com ele.

KP: - Fiquei feliz com isso porque, falando com você anteriormente e você tendo dito que planejava um disco solo enquanto estava em turnê com o Iced Earth num disco que foi considerado como definidor do futuro do IE. É ótimo ouvir que você vai trabalhar nisso e de repente está aqui. John, quais são suas considerações sobre isso? Sobre ter o disco pronto e tudo mais?

Comprix: - OK, eu geralmente não ouço muitas coisas que eu faço, mas digo novamente, muitas das minhas outras bandas são um tanto quanto brutais. Isso foi uma renovada de ares para mim, então eu acho que não mudaria nada. Acho que ficou demais e amo isso.

KP: - Mesmo sabendo que o disco todo é especial para vocês, eu gostaria de saber quais são as suas músicas favoritas.

Ripper: - Você sabe, existem muitas razões, mas eu acho que, liricamente, seria “Dreams Come True”, pela razão de que quando você sonha, tudo pode ser grandioso. Você pode apenas fechar seus olhos e sonhar, e todo mundo é saudável e vivo, e blá blá blá, por causa do sonho. Como a canção é baseada nisso, ficou mais pessoal, principalmente no último verso. Então ela não é uma canção que começou sendo pessoal, e eu tenho dito muito isso ás pessoas ultimamente, que quando eu falo sobre e começo a pensar sobre o último verso da música, eu imagino muita coisa em minha cabeça. Eu quando criança; meus pais vivendo na mesma casa, como quando eu era um garoto, e o quintal agora é um quintalzinho verde sem árvores, e quando eu era um garoto ele tinha árvores grandes e quase não tinha grama, e meu irmão e nossos amigos e eu corríamos e brincávamos. Então eu imagino tudo isso quando fecho os olhos. Eu vejo esse quintal sujo com árvores, e um balanço, e eu sangrando, e sendo uma criança. Todos correndo e os pais saudáveis, você sabe, então essa canção significa muito pra mim no que diz respeito ás letras. “Scream Machine” significa muito pra mim mostrando que eu posso fazer aqueles estilos de música também. Liricamente e melodicamente, todas elas significam algo pra mim, mas essas duas se destacam.

KP: - John, qual a sua opinião?

Comprix: - Eu gosto de “Scream Machine”, “Words Of Wisdom”, “Save Me” é matadora, não sei, honestamente.

Ripper: - É difícil.

Comprix: - Eu posso colocar o CD e ouvir do começo ao fim e achá-lo muito legal porque está tudo certo, e o que eu quero dizer com isso é que é um disco de metal. É pesado, tem groove, tem tropeços ha-ha, tem tudo certo e isso é muito legal cara.

KP: - Eu fiz o erro de tocar o disco muito alto na primeira vez porque algumas vezes quando o promo sai, não é igual ao produto final. Então eu sentei e coloquei o volume do aparelho de som bem alto, e literalmente me derrubou da cadeira. Esse é um bom efeito pra se provocar no ouvinte. Além disso, o que inspirou o nome Beyond Fear é que é muito fácil para um cantor do status do Tim colocar apenas “The Tim Owens Project” ou “Ripper Band”.

Ripper: - É, eu concordo, e você sabe o que provavelmente foi pensado quando John e eu começamos foi que seria chamado “Ripper” ou “Rip”. Eu sempre gostei de “Rip” ou algo assim. Não “Ripper Owens Band” ou “Rip” que eu sempre achei legal, mas então pensei que não queria que fosse assim. Eu queria que fosse uma banda e foi assim que saiu para este primeiro album. No futuro as pessoas provavelmente vão se referir a isso como “Beyond Fear featuring Tim Ripper Owens” porque obviamente eu estava no Judas Priest e sou o vocalista do Iced Earth; e isto tem que estar lá, mas continua sendo “Beyond Fear”. Você olha para a foto da banda e para o encarte que vem junto com o CD, o qual também foi importante...só tem fotos minhas e nenhuma da banda (risadas).


KP: - Mas o John tem um cabelo rosa maravilhoso (risos…pois ele não tem)

Ripper: - Então você abre e vê uma foto minha, na próxima pagina uma foto do Dennis, do John, uma foto da banda e outra. Eu não sou maior que eles e nenhuma dessas coisas você poderia esperar. É tudo sobre este livro, a percepção de que isto é uma banda e eu simplesmente pensei que, se eu fosse um fã de musica, eu gostaria disso. Eu encararia com mais seriedade. Eu penso que quando você faz algo solo it comes across as a notch down or you always look at it a notch down. Se eu fizer um álbum solo vai ser algo diferente. Você sabe, eu fou fazer, uhm ... musica country (risadas).

KP: - Ron Keel fez isso.

Ripper: - As pessoas fazem isso, mas eu não quis isso nem por um segundo. Eu queria que fosse uma banda e pensei que a gravadora trabalharia mais seriamente. As pessoas veriam uma banda de forma diferente. Nós ensaiamos duas vezes por semana quando estamos em casa. Nos juntamos para jantar, algumas cervejas ou qualquer coisa parecida. Eu não ensaio duas vezes por semana há 15 anos e faz muito tempo desde que eu podia ensaiar e tomar cervejas. Porque agora, quando ensaio com Iced Earth ou Judas Priest, todos vem de um lugar diferente uma semana antes de sair em turnê e não se pode beber durante o ensaio por estar fazendo isso somente duas ou três vezes por semana, passando todo o “set” em um dia. Você leva isso à sério. Agora nos praticamos, tomamos uma cerveja, relaxamos e passamos o “set”, “OK, parece legal”. É um sentimento legal e esse é o propósito da banda. Caso contrário eu praticaria comigo memso. Se fosse somente “Tim Ripper Owens” eu tocaria sozinho o tempo inteiro (risadas).

Comprix: - Talvez você toque sozinho o tempo inteiro. (mais risadas)

KP: - Então, o que significa “Beyond Fear” realmente? Têm algum significado escondido?

Comprix: - BEMMMMM além de estar assustado, cara! (Beyond Fear = além do medo)

Ripper – É engraçado porque parece que essa foi a idéia, mas eu escolhi este nome por ter gostado dele. Eu gostei da maneira como parecia e como soava. A banda também gostou. Na Europa eles são tipo, “então é isso etc... etc...”, e de uma certa maneira é devido a eu não ter medo de realizar este projeto e colocar ele pra fora, mas esse não é o motivo pelo qual escolhemos esse nome. E mais ou menos como “Scream Machine” (Máquina de Gritos). Na Europa eles dizem “oh, a musica é meio que sobre você, você vai dominar a cidade como o novo monstro do Metal”. Mas na verdade é simplesmente sobre uma “máquina de gritos” idiota. Eu não sei, eu não vou arrancar seu coração e comer seus filhos simplesmente porque eu digo que vou arrancar seu coração...

KP – O quão confortável foi gravar o disco com esses integrantes, quer dizer, todo mundo realmente é demais e tudo isso é demais em como você está usando pessoas da sua vida. É como aquele filme, como era chamado, “Rock Star”. É a parte dois

Ripper – É, isso é um “Rock Star” parte 2. Juntamos todos os caras e tivemos uma reunião casual muito boa tomando umas cervejas. Na verdade, essas coisas de 30 ounces e alguma comida Mexicana mesmo na primeira reunião. É disso que a banda se trata

KP – Comida mexicana e cerveja, OK

Comprix - Nossos corpos nos odeiam agora.

Ripper - Dennis provavelmente bebeu metade de tudo. Ele vive de cerveja.

KP – Saiba que vamos publicar tudo isso.

Comprix – Ok, não ligamos.

KP - ´É muito bom ver Ohio mostrando tamanha força no Metal atualmente.

Ripper – Bom você tem Canton, Akron e Cleveland que é a linha de onde saem muitas coisas que se escuta de Ohio. Elas saem de um desses três lugares. Nós decidimos não pegar ninguém de Barberton, que foi de longe o que não queríamos fazer. Você sabe, trailers e carros sem rodas... Mas no geral é uma grande área para musica. Dennis é o melhor baixista, não somente o melhor baixista da nossa área, mas provavelmente é o melhor baixista com o qual eu já toquei. Então eu provavelmente não conseguiria melhores músicos fora daqui do que conseguiria em qualquer outro lugar.

Comprix – Somos bem barateiros (risos).

Ripper - Sim, eu decidi ter uma banda que tocasse bem e fosse bem feia. Acho que se eu conseguir uns caras feios e não pagá-los e eles sendo muito bons, é uma troca de favores. (risos gerais)

KP – A razão pela qual perguntei isto foi porque você esteve fazendo isto aqui por muitos anos e meio que destruiu o mito de que era preciso estar em Nova York ou Los Angeles para fazer sucesso. Vocês mostraram que áreas desconhecidas por colocar este tipo de coisa no mapa são, de fato, possibilidades. Eu sinto que vocês dão muita esperança pra outros músicos de diferentes lugares.

Ripper – Bem, olhe para o Slipknot, uma banda vinda do Iowa. Quem poderia imaginar.


Comprix - Temos bandas muito boas, temos o Mushroomhead, e temos o Chimaira.

Ripper - Acho que é uma era diferente. Obviamente, nos anos 80 e no começo dos 90 em Seattle. Nos anos 80, todo mundo se mudava pra L.A., era o que diziam mesmo que fosse mentira, e todos aqueles caras que eu conheço que se mudaram pra L.A. voltaram pra Ohio pra tocar em bandas locais e tudo mais. Muitos deles vieram pra perto para facilitar, Mark Matthews em Sweet F.A., que é um músico fantástico.

KP- Eu me lembro deles, e amei o o primeiro disco deles.

Ripper - É, e então eles perderam a aposta, e foi o que aconteceu com muitos deles. Slammin’ Glady’s e todas essas bandas, haviam muitas que chegaram perto.

KP - Você continua falando desses grupos que eu tenho na minha coleção.

Ripper – Eles chegaram perto, e agora estamos em um período diferente. Quero dizer, eu consegui por que alguém achou uma fita de vídeo. Então cheguei ao Priest, e isso foi uma tacada de sorte. Agora você não escuta isso, você não ouve falar das bandas de LA. Pode ter uma cena Hard Core em Nova York que provavelmente é mais popular que qualquer outra coisa comparada com a cena de LA. Mas agora são bandas de todos os lugares. Você não tem que se mudar pra nenhum lugar. Na verdade você tem que se mudar para Ohio.

KP – Sim, mas você já juntou a banda. A não ser que você esteja procurando por reservas.

Ripper – Bem ,eu estava apenas pensando que, se alguém quiser ficar popular agora, pode formar uma banda em qualquer outro lugar e depois se mudar para Ohio. Você sabe, tentaram isso na época em que eu estava no Winter´s Bane a Massacre Records, da Alemanha, tentou fazer um acordo e levar as bandas de Cleveland para dizer que existia uma cena em Seattle. Bem, aqui temos uma cena de Cleveland. Nós tínhamos “Spudmonster”, “Small Ritual”, “Winter´s Bane” e todas estas bandas e você tenta pegar da cena. Eles esqueceram que não pagaram as bandas e nos ferraram, mas tentaram construir alguma coisa.

KP – Quanto tempo levou para escrever o material?

Ripper – É bem estranho, considerando o inicio meios espalhado. Mas, uma vez que começou a funcionar, aconteceu tudo em seqüência, parecendo tudo muito rápido, mas tivemos que espalhar um pouco as coisas, o que acabou sendo uma coisa boa, pois isso fez com que a coisa tivesse mais sabor, em minha opinião. Você tem musicas que talvez foram escritas há uns dois anos atrás, mas só isso, apenas escritas. Então quando caímos na estrada, passados este um ano e meio, as coisas mudaram. Quero dizer, “Scream Machine”, “Words Of Wisdom”, todas as ultimas musicas. “My Last Words” que é diferente, já que foi escrita no final e é quase como as musicas “up-tempo” começarem a aparecer no final. Foi como se essas três ultimas pudessem ter sido as ultimas a serem escritas e serem rápidas e musicas “up-tempo”.

Comprix – “Play My Game” foi a mais antiga.

Ripper – Sim, “Play My Game” é a mais antiga e não está no álbum. Essa pode ser uma faixa bônus em algum lugar, algum bônus release com duas musicas extra. Você escutou, já que viu os shows. Mas no final das contas faz um ano e meio desde que realmente começamos a escrever tudo. Originalmente não teríamos dez faixas, então aconteceu “John, faça isto, tente aquilo” ou “escreva algo como isso”. Ele voltava e dizia “Oh, Eu tenho alguma coisa”. De fato ele escreveu essa que não está nesse álbum, mas definitivamente estará no próximo. Deveria estar neste, e poderia estar se não tivéssemos tantas musicas. Teve uma musica acústica que ele me deu, coloquei os vocais e mostramos para Jim Morris e ele adorou.

KP – Outro aspecto que eu gostaria de abordar foi o que levou vocês a se estabelecer, mais relacionado ao que levou vocês a decidirem nesta marca do gênero. É bem compassado em um estilo tradicional, ainda com a agressividade de algumas das bandas mais novas. Não é “Nu-Metal”, mas baseado no Heavy Metal tradicional.

Ripper – Você acertou na mosca, é exatamente isso. Nós crescemos ouvindo Iron Maiden, Priest e Sabbath, mas não nos prendemos ali. Eu não agüento quando uma banda não mantém a mente aberta e ficam presos em uma era. Aqueles são alguns dos melhores álbuns de todos os tempos, mas você tem que seguir em frente, que foi o que coloquei ao John. Ei, diga algumas das bandas de Rap que o influenciaram.

Comprix – Uhmmm, certo!

Ripper – Eis como funciona. Nossas influências são pra mim desde Black Sabbath até Judas Priest e da mesma forma pra ele sendo um guitarrista. Você começa a buscar outras coisas.

Comprix – Eu já disse mil vezes, eu sou uma bagunça. Eu venho desde Black Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden, Dio, Ozzy até o movimento Thrash no final dos anos oitenta, que foi o que sempre amei. Você sabe, Metallica, Kreator, Testament, Exodus, mas também adoro hard core, então adoro Madball, Full Blown Chãos, Hatebreed. Então, você sabe, eu quero dizer que adoro isso tudo do mesmo jeito. Pra mim não é apenas um único gênero, eu gosto de tudo. Eu sou um cara do Metal, eu adoro metal e aprecio de tudo.

KP – Você é realmente um excelente guitarrista, está pronto para aparecer nas capas de algumas destas revistas de guitarr. Eu sinto que você merece depois deste disco por que as pessoas vão começar a ouvi-lo e, honestamente, o pessoal sabe o que esperar do Ripper. Ele é simplesmente um dos melhores vocalistas do metal em atividade, um baterista potente, um grande baixista e aqui está você com alguns riffs na guitarra que fazem você dizer “Wow, onde estava esse cara”.

Comprix – Obrigado, eu realmente agradeço isto.

Ripper – Sim, é por isso que ele está aqui em Nova York comigo e eu disse o tempo todo que, depois das pessoas escutarem o álbum e nos verem em turnê,, as peças vão se encaixar e vão saber que John e eu fizemos isso juntos. Até esse dia chegar, porque as pessoas não puderam ouvi-lo ou vê-lo, não vão saber exatamente como soa. Então eu disse que teríamos que trazer o John para Nova York para falar com as pessoas, já que vai acontecer de qualquer maneira, então por quê esperar? A bola vai começar a rolar de verdade, agora se vai atropelá-lo e passar por cima dele eu já não sei.

KP – Mais uma vez a necessidade dos reservas em Ohio. Você se referiu ao fato de eu conhecer algum material por ter pegado a banda na “Metal Insurgence Tour”. Que tipo de pensamento estava passando pela sua cabeça com isso, por que estavam com uma banda tecnicamente nova na época. Vocês estão tocando com Chris Caffery e Jon Oliva, apresentando material que não foi gravado para ninguém conhecer, mas vocês o fizeram, de qualquer maneira. Agora, eu lembro de estar colado ao chão quando vocês estavam gravando e eu estava tentando tirar algumas fotos sem o Ripper me bater por causa do Flash (Ripper e John riem). Eu percebi uma ou duas vezes, então me movi para onde você estava John.

Ripper – Bem, as coisas novas são sempre assustadoras e poderia ser da mesma maneira com a turnê do Anthrax que estamos fazendo. Quero dizer que apenas 30-40% das pessoas terão baixado o álbum até lá, mas é o tipo de musica que você pode trazer sem que as pessoas a escutem antes. Nem tudo é exatamente assim, mas isto é, e está basicamente “logo ali”. Nós não precisamos de fumaça e espelho por que essa musica está bem diante de você. Quero dizer que em “Coming at You” todos estavam cantando, mesmo sem saber. Nem eu sabia, mas é devido à esse tipo de musica. É pesado, com uma guitarra marcante, musica que simplesmente está ali.

KP – Eu concordo que é um material bem “ao vivo” e isso foi mostrado muito cedo.

Ripper – Nós tocamos bem e estamos juntos, tendo uma grande diferença quando tocávamos de forma mais solta É um evento fracassado, mas nós praticamos e ensaiamos tudo. Nós não nos encontramos todos juntos para aquela turnê ou para o primeiro show, nós não fizemos coisas como isso. Nós não sentamos lá e tentamos nos juntar. Nós ensaiamos musicas, se você acha que pode imaginar. Não tínhamos certeza que aquele show onde você estava iria continuar por que aquele lugar era um desastre. Quero dizer, o P.A era tão grande quanto a minha bunda, de verdade. Nós tiramos uma foto da minha bunda ao lado e a placa de som era tão grande quanto minha bunda.

Comprix – Foi a maior placa que eu já vi. (risadas)

Ripper – E tinha uma lâmpada pendurada lá e eles disseram que a energia não seria suficiente para o equipamento de todo mundo. Então eu disse “Bem, vamos tocar”, porque vocês pensam que isto é um pesadelo. Bem, nós temos o tipo de musica que basta ligarmos os amplificadores e tudo passa a funcionar. Quando terminamos de nos aprontar as outras bandas apareceram e disseram “muito bem, vamos fazer isso”. Não foi como “Oh, o Tim vai fazer então nós vamos fazer também”, mas foi como “nós podemos fazer”. Pode não ter tudo, todos os acessórios e essas coisas, mas no fim acabou com todos soando muito bem aquela noite.

KP – Sim, apesar do número de coisas horrorosas naquele show. E todos que escreveram a respeito disseram a mesma coisa. Chris comentou sobre isso, apesar de tudo, todos brilharam naquela noite. Todas as bandas foram bem sucedidas no final, porque nem sempre você vai tocar em um grande lugar e algumas vezes tudo que pode acontecer de errado acontece.

Ripper – Sim, foi uma boa noite, apesar do “Angel of Retribution” ser tocado antes de eu ir para o palco. Eu pensei “Que merda é essa que eles estão fazendo”. Quero dizer, eu estou em dois álbuns do Priest e um do Iced Earth, e, tudo bem toca-lo, mas porra, eu estou subindo no palco para o novo álbum do Judas Priest. (Ripper manda o verso “Judas is Rising)

KP – Hey, pelo menos nós sabemos que ele ainda pode se encaixar se for preciso.

Ripper – É, mas o pagamento tem que ser maior agora.

KP – Então a turnê da qual você está falando vai ser com vocês e a formação reunida do Anthrax. Vocês já conseguiram assistir algum dos shows dele para ter uma idéia de como vai ser?

Ripper – Não, não consegui por que eles nunca passaram pela nossa região. Vieram para Colombus.

KP – Tem sido impressionante. E quando os encontrei fiquei impressionado, como no tempo que aquele material estava no auge. Parecia que todos ao meu redor também estavam gostando.

Ripper – Estou ansioso porque realizei uma turnê com o Anthrax quando estava no Judas Priest e eles tinham John Bush nos vocais. Eu sou um grande fã do Antharx com John Bush, mas também sou um grande fã do Anthrax com Joey Belladona. Então eu cresci com A.I.R. e sou um grande fã. Bom material, mas então você pega Anthrax com “Only” e “Black Lodge” e todo esse outro excelente material do caralho que eles tiveram com John Bush. Dois vocalistas totalmente diferentes, e se você pudesse misturar os dois teria um dos maiores vocalistas da história do Metal.

KP – Minha visão pessoal do que poderia funcionar nesta turnê é o fato do novo álbum ser bem compassado no Metal Tradicional e vocês estarem em turnê com Anthrax, revistando este material de 1986. Claro que eles estão mais velhos, mas escutar essas musicas trazem você de volta. Penso que o material de vocês vai apelar ao publico, tendo em vista que eles já vão estar em sintonia com o estilo.

Ripper – Eu acho que é uma combinação perfeita e mal posso esperar. A turnê está marcada para acontecer durante todo o mês de Abril na Europa. Então se você começar a remar esse barco agora você vai estar lá a tempo para os shows. Como eu disse, está é uma turnê inteira sem o pessoal conhecer o material por que o disco não saiu ainda. Mas por outro lado, está é uma das melhores promo tours que você poderia esperar. O álbum será lançado em 05/09/2006 nos EUA e 05/11/2006 na Europa. Não conhecemos oficialmente nenhuma possibilidade de turnê nos EUA agora, mas esperamos que seja um pouco melhor que a ultima que fizemos.

KP – Quem você escolheriam para fazer uma turnê juntos, se pudessem escolher um artista?

Riipper – Bem , se eu tivesse a chance de escolher eu ainda adoraria estar em turnê com Oliva e Caffery porque foi uma excelente formação. Grandes musica, grandes pessoas, grandes bandas. Observar todos durante todas as noites foi um estouro. Claro que poderia escolher qualquer um, mas preferiria escolher alguém que trará dez, quinze mil pessoas. Então talvez nós devamos abrir para Celine Dion, já que eu não sei quem desenha isso de outra maneira atualmente. Talvez nós possamos participar na turnê do American Idol (risadas).

KP – Ozzfest talvez? Ou então a Gigantour.

Ripper – Estamos sendo empresariados por Wendy Dio, então não acho que vá rolar com o Ozzfest. Gigantour seria legal, e amaríamos fazer isso, e ela está trabalhando com isso no momento. No entanto, essencialmente, entraremos em qualquer turnê que nosso Empresário consiga nos colocar e que valha a pena participar. Nós não queremos participar de uma turnê na qual a banda principal atraia 500 pessoas. Queremos ter certeza de que será uma boa turnê.

KP – A existência do Beyond Fear apresenta algum problema para o trabalho no Iced Earth?

Ripper – Não deveria, se for feito da maneira correta. John está escrevendo e trabalhando nas coisas para o novo álbum. Porque todos sabem que eu sou do Iced Earth uma vez que o Iced Earth começar a rolar de novo. Quando não estamos em turnê eu passo a focar no Beyond Fear. Na próxima vez que fizermos o Beyond Fear teremos muito mais turnês e, eu imagino, durante todo o verão. A gravadora sabia disso, e se tivessem adiantado um mês, como eu havia proposto, teríamos mais um mês de turnê para fazer. Ou poderíamos fazer a turnê com o Anthrax e o álbum estar pronto para o publico. Sim, foi atrasado, mas não tem problema por que é muito bom poder ir lá fora. É bom para o Beyond Fear quando estou lá fora com o Iced Earth. Estou tocando para muito mais pessoas que poderão que conhecer o trabalho do Beyond Fear.

KP – Você disse que tem material o suficiente para um segundo disco.

Comprix – Bem, nada que esteja completo, mas o que eu faço o dia inteiro é sentar e fazer riffs.

Ripper – Eu falei pra ele dar umas idéias com alguns versos e refrões, como fizemos para o primeiro disco. Mesmo quando estou na estrada posso pegar um CD e ficar escutando, especialmente se estou com meu laptop comigo. Posso sempre colocar uma linha de vocal, quer eu esteja sussurrando ou não. Posso pegar as idéias que tenho aqui ou ali. Na verdade eu estava de férias quando compus “Words Of Wisdom” ou “Scream Machine”, porque estava com meu laptop. Fiz os vocais no quarto e depois tudo acaba se juntando. Por esse motivo que quando o Iced Earth acaba já temos alguma coisa com a qual trabalhar.

KP – Acho que minha última pergunta será quais são suas esperanças para o Beyond Fear no cenário do metal mundial de hoje.

Ripper – Sobreviver e dar um passo de cada vez. Acho que temos um disco ótimo e nós queremos sair lá fora e liderar tudo. Eu acho que outro ponto importante é ser aceito. Quero dizer, odeio a idéia de ter que caçar pessoas e matá-las, mas é isso que acaba acontecendo. É um tipo de musica atípica, onde eles realmente matam pessoas no palco. Trazem-nos para o palco e realizam sacrifícios.

KP – Lembre-se que classificamos como 9/10.

Ripper – Bem, então você não preenche os requisitos por ser um dos provedores. É uma das coisas legais em você.

KP – Acho que sou Beyond Fear – além do medo. (putz, que merda)

Ripper – John, qual a sua idéia disso?

Comprix – Eu quero que esse disco agrade as pessoas que realmente amam o metal. As pessoas que amavam a música que tinha mais de um riff. Não aquela batida na mizão o tempo todo. Voltar a fazer musica na qual você realmente põe o disco, escuta as palavras e sabe o que estão dizendo. É por isso que a musica pesada popular atualmente ainda adora o bom e velho Metal. Eu ouço tantos clássicos na música como o Motorhead, Dio e é aquela irmandade que eu quero que nos escute. Eu quero que a mesma pessoa que escuta esses caras escute um cd do Beyond Fear e diga “Puta que pariu, isso é foda”, e apreciem simplesmente pelo que é.

Ripper – Ali está o fã de Metal, quando alguém escuta todas essas bandas acaba seguindo um tipo de linha, Motorhead, Slayer, Dio, Iron Maiden...não desvia e vai para Poison, Slaughter, etc...


Comprix – Minha intenção é apelar para aqueles que apreciam uma guitarra bem tocada, vocal e, essencialmente, aqueles que simplesmente querem ouvi-lo.

KP – Não esqueça de fazer as palhetas do Beyond Fear, pois tenho a impressão que a garotada vai ficar faminta por elas quando você começar a tocar.

Comprix – Já estão encomendadas.

Kp – Caras, obrigado pelo tempo e novamente muita sorte no lançamento do disco de estréia da banda!

Após a entrevista, nosso grupo deixou Times Square, aventurando-se por GreenWich Village atrás de algum jantar e bebidas. Depois de vários pedaços de pizza e algumas cervejas depois nos levaram para muitas outras histórias do Ripper e John. Desculpe não podermos colocá-las todas aqui, sabendo que não foram parte da entrevista. Espere pelo álbum e veja o Metal mais uma vez. “Beyond Fear”, álbum auto-intitulado, está disponível na SPV Records em Maio, em todos os lugares do mundo. Você sente isso, está chegando perto.

Tradução por Antonio Neto