|
2006 - Entrevista com Tim Owens e John
Comprix
Beyond Fear é a nova banda formada pelo
frontman do Iced Earth e anteriormente Judas Priest, Tim “Ripper” Owens. O
auto-intitulado lançamento debut é um álbum sólido e pesado como o inferno
que certamente fará deles househol name e ganharão uma legião de fãs.
Lançado pela SPV Records, a banda fez sua primeira aparição na “Metal
Insurgence Tour” em 2005 que os colocou ao lado de John Oliva’s Pain e
Chris Caffery. Recentemente, Ripper e o guitarrista John Comprix estavam
na cidade para um encontro com a imprensa para falar sobre a banda, o
disco, a turnê e os planos para o futuro. Segue uma transcrição da
conversa.
KP: - Primeiramente, parabéns pelo disco de estréia absolutamente matador
do Beyond Fear. Tim, eu me lembro de que quando nos encontramos
primeiramente com o Iced Earth em NY que você disse que queria fazer um
disco solo se tivesse tempo e quando eu perguntei se seria pesado, você
respondeu “ah sim vai ser pesado". É demais ver isso dando certo; como
você se sente tendo feito o disco e com ele pronto para ser lançado?
Ripper: - Bem, é muito bom pra mim, mas infelizmente minha primeira opção
de guitarrista não estava disponível (C.C. DeVille) para a guitarra (Tim
se referindo a algumas das gravações de zoeira feitas antes da sessão
principal) então eu peguei o John. Na verdade, era para o John estar na
banda desde sempre, e eu sempre senti que seria confortável pra mim ter
John Comprix de um lado e C.C. Deville do outro para suporte rítmico.
Comprix: - É, teria funcionado muito bem.
Ripper: - Voadoras, chutes e torcidas de pescoço. Falando sério, estou
muito animado porque pra mim é algo que significa muito e é exatamente o
que eu quero ouvir de música que eu gosto. Então, pra mim, significa muito
levar isto para as pessoas ouvirem.
KP: - John quais são seus pensamentos sobre o lançamento?
Comprix: - Estou em êxtase, cara, sabe, estou pronto para isso. Pra mim,
pessoalmente, é excitante porque Tim conseguiu viver o sonho dele, e agora
é minha vez.
Ripper: - Agora é meu pesadelo! (risos)
Comprix: - Você sabe que eu me sinto abençoado em poder tocar com o Tim;
faz anos que quero tocar com ele numa banda. Sou um grande fã dele; acho
que ele é facilmente um dos melhores cantores no metal.
KP: - Facilmente, e eu não estou dizendo isso só porque ele está na
distância necessária pra me bater (risos).
Comprix: - Estou realmente me divertindo com isso e eu acho que é um álbum
sólido, não consigo esperar para todos ouvirem.
KP: - Então vocês estão totalmente impressionados com o resultado final ou
agora que está pronto tem algo que vocês acham que "ah eu poderia ter
feito isso..."
Ripper: - Sabe, é estranho porque você pensa um pouco assim, mas estou tão
feliz com isso como nunca estive e eu fiz isso em muito menos tempo. Acho
que gastei nesse disco o mesmo tempo que gastei para fazer os vocais do
“The Glorious Burden”. Foi algo perto de 4, 5 dias no “The Glorious Burden”
e 3, 5 dias neste, mas, quanto á coisa toda, fizemos tudo muito rápido.
Foi assim porque estávamos muito preparados. O fato de sermos uma banda e
estarmos trabalhando em partes nos deixou preparados para isso. Você vai
sempre ouvir algo que vai te deixar pensando que poderia ter mudado um
pouco, mas eu não vejo assim. As músicas são como foram escritas e como
eram pra ser, e não as bagunçamos como outros fizeram. Eles terminam o
disco, e então começam a “oh vamos tirar isso e mudar isso de lugar”;
começam a fazer isso demais e tudo vira uma pilha gigante de merda. O
jeito que o disco ficou quando compomos tudo é exatamente o jeito que
queremos, e acho que é por isso que estou feliz com ele.
KP: - Fiquei feliz com isso porque, falando com você anteriormente e você
tendo dito que planejava um disco solo enquanto estava em turnê com o Iced
Earth num disco que foi considerado como definidor do futuro do IE. É
ótimo ouvir que você vai trabalhar nisso e de repente está aqui. John,
quais são suas considerações sobre isso? Sobre ter o disco pronto e tudo
mais?
Comprix: - OK, eu geralmente não ouço muitas coisas que eu faço, mas digo
novamente, muitas das minhas outras bandas são um tanto quanto brutais.
Isso foi uma renovada de ares para mim, então eu acho que não mudaria
nada. Acho que ficou demais e amo isso.
KP: - Mesmo sabendo que o disco todo é especial para vocês, eu gostaria de
saber quais são as suas músicas favoritas.
Ripper: - Você sabe, existem muitas razões, mas eu acho que, liricamente,
seria “Dreams Come True”, pela razão de que quando você sonha, tudo pode
ser grandioso. Você pode apenas fechar seus olhos e sonhar, e todo mundo é
saudável e vivo, e blá blá blá, por causa do sonho. Como a canção é
baseada nisso, ficou mais pessoal, principalmente no último verso. Então
ela não é uma canção que começou sendo pessoal, e eu tenho dito muito isso
ás pessoas ultimamente, que quando eu falo sobre e começo a pensar sobre o
último verso da música, eu imagino muita coisa em minha cabeça. Eu quando
criança; meus pais vivendo na mesma casa, como quando eu era um garoto, e
o quintal agora é um quintalzinho verde sem árvores, e quando eu era um
garoto ele tinha árvores grandes e quase não tinha grama, e meu irmão e
nossos amigos e eu corríamos e brincávamos. Então eu imagino tudo isso
quando fecho os olhos. Eu vejo esse quintal sujo com árvores, e um
balanço, e eu sangrando, e sendo uma criança. Todos correndo e os pais
saudáveis, você sabe, então essa canção significa muito pra mim no que diz
respeito ás letras. “Scream Machine” significa muito pra mim mostrando que
eu posso fazer aqueles estilos de música também. Liricamente e
melodicamente, todas elas significam algo pra mim, mas essas duas se
destacam.
KP: - John, qual a sua opinião?
Comprix: - Eu gosto de “Scream Machine”, “Words Of Wisdom”, “Save Me” é
matadora, não sei, honestamente.
Ripper: - É difícil.
Comprix: - Eu posso colocar o CD e ouvir do começo ao fim e achá-lo muito
legal porque está tudo certo, e o que eu quero dizer com isso é que é um
disco de metal. É pesado, tem groove, tem tropeços ha-ha, tem tudo certo e
isso é muito legal cara.
KP: - Eu fiz o erro de tocar o disco muito alto na primeira vez porque
algumas vezes quando o promo sai, não é igual ao produto final. Então eu
sentei e coloquei o volume do aparelho de som bem alto, e literalmente me
derrubou da cadeira. Esse é um bom efeito pra se provocar no ouvinte. Além
disso, o que inspirou o nome Beyond Fear é que é muito fácil para um
cantor do status do Tim colocar apenas “The Tim Owens Project” ou “Ripper
Band”.
Ripper: - É, eu concordo, e você sabe o que provavelmente foi pensado
quando John e eu começamos foi que seria chamado “Ripper” ou “Rip”. Eu
sempre gostei de “Rip” ou algo assim. Não “Ripper Owens Band” ou “Rip” que
eu sempre achei legal, mas então pensei que não queria que fosse assim. Eu
queria que fosse uma banda e foi assim que saiu para este primeiro album.
No futuro as pessoas provavelmente vão se referir a isso como “Beyond Fear
featuring Tim Ripper Owens” porque obviamente eu estava no Judas Priest e
sou o vocalista do Iced Earth; e isto tem que estar lá, mas continua sendo
“Beyond Fear”. Você olha para a foto da banda e para o encarte que vem
junto com o CD, o qual também foi importante...só tem fotos minhas e
nenhuma da banda (risadas).
KP: - Mas o John tem um cabelo rosa maravilhoso (risos…pois ele não tem)
Ripper: - Então você abre e vê uma foto minha, na próxima pagina uma foto
do Dennis, do John, uma foto da banda e outra. Eu não sou maior que eles e
nenhuma dessas coisas você poderia esperar. É tudo sobre este livro, a
percepção de que isto é uma banda e eu simplesmente pensei que, se eu
fosse um fã de musica, eu gostaria disso. Eu encararia com mais seriedade.
Eu penso que quando você faz algo solo it comes across as a notch down or
you always look at it a notch down. Se eu fizer um álbum solo vai ser algo
diferente. Você sabe, eu fou fazer, uhm ... musica country (risadas).
KP: - Ron Keel fez isso.
Ripper: - As pessoas fazem isso, mas eu não quis isso nem por um segundo.
Eu queria que fosse uma banda e pensei que a gravadora trabalharia mais
seriamente. As pessoas veriam uma banda de forma diferente. Nós ensaiamos
duas vezes por semana quando estamos em casa. Nos juntamos para jantar,
algumas cervejas ou qualquer coisa parecida. Eu não ensaio duas vezes por
semana há 15 anos e faz muito tempo desde que eu podia ensaiar e tomar
cervejas. Porque agora, quando ensaio com Iced Earth ou Judas Priest,
todos vem de um lugar diferente uma semana antes de sair em turnê e não se
pode beber durante o ensaio por estar fazendo isso somente duas ou três
vezes por semana, passando todo o “set” em um dia. Você leva isso à sério.
Agora nos praticamos, tomamos uma cerveja, relaxamos e passamos o “set”,
“OK, parece legal”. É um sentimento legal e esse é o propósito da banda.
Caso contrário eu praticaria comigo memso. Se fosse somente “Tim Ripper
Owens” eu tocaria sozinho o tempo inteiro (risadas).
Comprix: - Talvez você toque sozinho o tempo inteiro. (mais risadas)
KP: - Então, o que significa “Beyond Fear” realmente? Têm algum
significado escondido?
Comprix: - BEMMMMM além de estar assustado, cara! (Beyond Fear = além do
medo)
Ripper – É engraçado porque parece que essa foi a idéia, mas eu escolhi
este nome por ter gostado dele. Eu gostei da maneira como parecia e como
soava. A banda também gostou. Na Europa eles são tipo, “então é isso
etc... etc...”, e de uma certa maneira é devido a eu não ter medo de
realizar este projeto e colocar ele pra fora, mas esse não é o motivo pelo
qual escolhemos esse nome. E mais ou menos como “Scream Machine” (Máquina
de Gritos). Na Europa eles dizem “oh, a musica é meio que sobre você, você
vai dominar a cidade como o novo monstro do Metal”. Mas na verdade é
simplesmente sobre uma “máquina de gritos” idiota. Eu não sei, eu não vou
arrancar seu coração e comer seus filhos simplesmente porque eu digo que
vou arrancar seu coração...
KP – O quão confortável foi gravar o disco com esses integrantes, quer
dizer, todo mundo realmente é demais e tudo isso é demais em como você
está usando pessoas da sua vida. É como aquele filme, como era chamado,
“Rock Star”. É a parte dois
Ripper – É, isso é um “Rock Star” parte 2. Juntamos todos os caras e
tivemos uma reunião casual muito boa tomando umas cervejas. Na verdade,
essas coisas de 30 ounces e alguma comida Mexicana mesmo na primeira
reunião. É disso que a banda se trata
KP – Comida mexicana e cerveja, OK
Comprix - Nossos corpos nos odeiam agora.
Ripper - Dennis provavelmente bebeu metade de tudo. Ele vive de cerveja.
KP – Saiba que vamos publicar tudo isso.
Comprix – Ok, não ligamos.
KP - ´É muito bom ver Ohio mostrando tamanha força no Metal atualmente.
Ripper – Bom você tem Canton, Akron e Cleveland que é a linha de onde saem
muitas coisas que se escuta de Ohio. Elas saem de um desses três lugares.
Nós decidimos não pegar ninguém de Barberton, que foi de longe o que não
queríamos fazer. Você sabe, trailers e carros sem rodas... Mas no geral é
uma grande área para musica. Dennis é o melhor baixista, não somente o
melhor baixista da nossa área, mas provavelmente é o melhor baixista com o
qual eu já toquei. Então eu provavelmente não conseguiria melhores músicos
fora daqui do que conseguiria em qualquer outro lugar.
Comprix – Somos bem barateiros (risos).
Ripper - Sim, eu decidi ter uma banda que tocasse bem e fosse bem feia.
Acho que se eu conseguir uns caras feios e não pagá-los e eles sendo muito
bons, é uma troca de favores. (risos gerais)
KP – A razão pela qual perguntei isto foi porque você esteve fazendo isto
aqui por muitos anos e meio que destruiu o mito de que era preciso estar
em Nova York ou Los Angeles para fazer sucesso. Vocês mostraram que áreas
desconhecidas por colocar este tipo de coisa no mapa são, de fato,
possibilidades. Eu sinto que vocês dão muita esperança pra outros músicos
de diferentes lugares.
Ripper – Bem, olhe para o Slipknot, uma banda vinda do Iowa. Quem poderia
imaginar.
Comprix - Temos bandas muito boas, temos o Mushroomhead, e temos o
Chimaira.
Ripper - Acho que é uma era diferente. Obviamente, nos anos 80 e no começo
dos 90 em Seattle. Nos anos 80, todo mundo se mudava pra L.A., era o que
diziam mesmo que fosse mentira, e todos aqueles caras que eu conheço que
se mudaram pra L.A. voltaram pra Ohio pra tocar em bandas locais e tudo
mais. Muitos deles vieram pra perto para facilitar, Mark Matthews em Sweet
F.A., que é um músico fantástico.
KP- Eu me lembro deles, e amei o o primeiro disco deles.
Ripper - É, e então eles perderam a aposta, e foi o que aconteceu com
muitos deles. Slammin’ Glady’s e todas essas bandas, haviam muitas que
chegaram perto.
KP - Você continua falando desses grupos que eu tenho na minha coleção.
Ripper – Eles chegaram perto, e agora estamos em um período diferente.
Quero dizer, eu consegui por que alguém achou uma fita de vídeo. Então
cheguei ao Priest, e isso foi uma tacada de sorte. Agora você não escuta
isso, você não ouve falar das bandas de LA. Pode ter uma cena Hard Core em
Nova York que provavelmente é mais popular que qualquer outra coisa
comparada com a cena de LA. Mas agora são bandas de todos os lugares. Você
não tem que se mudar pra nenhum lugar. Na verdade você tem que se mudar
para Ohio.
KP – Sim, mas você já juntou a banda. A não ser que você esteja procurando
por reservas.
Ripper – Bem ,eu estava apenas pensando que, se alguém quiser ficar
popular agora, pode formar uma banda em qualquer outro lugar e depois se
mudar para Ohio. Você sabe, tentaram isso na época em que eu estava no
Winter´s Bane a Massacre Records, da Alemanha, tentou fazer um acordo e
levar as bandas de Cleveland para dizer que existia uma cena em Seattle.
Bem, aqui temos uma cena de Cleveland. Nós tínhamos “Spudmonster”, “Small
Ritual”, “Winter´s Bane” e todas estas bandas e você tenta pegar da cena.
Eles esqueceram que não pagaram as bandas e nos ferraram, mas tentaram
construir alguma coisa.
KP – Quanto tempo levou para escrever o material?
Ripper – É bem estranho, considerando o inicio meios espalhado. Mas, uma
vez que começou a funcionar, aconteceu tudo em seqüência, parecendo tudo
muito rápido, mas tivemos que espalhar um pouco as coisas, o que acabou
sendo uma coisa boa, pois isso fez com que a coisa tivesse mais sabor, em
minha opinião. Você tem musicas que talvez foram escritas há uns dois anos
atrás, mas só isso, apenas escritas. Então quando caímos na estrada,
passados este um ano e meio, as coisas mudaram. Quero dizer, “Scream
Machine”, “Words Of Wisdom”, todas as ultimas musicas. “My Last Words” que
é diferente, já que foi escrita no final e é quase como as musicas
“up-tempo” começarem a aparecer no final. Foi como se essas três ultimas
pudessem ter sido as ultimas a serem escritas e serem rápidas e musicas
“up-tempo”.
Comprix – “Play My Game” foi a mais antiga.
Ripper – Sim, “Play My Game” é a mais antiga e não está no álbum. Essa
pode ser uma faixa bônus em algum lugar, algum bônus release com duas
musicas extra. Você escutou, já que viu os shows. Mas no final das contas
faz um ano e meio desde que realmente começamos a escrever tudo.
Originalmente não teríamos dez faixas, então aconteceu “John, faça isto,
tente aquilo” ou “escreva algo como isso”. Ele voltava e dizia “Oh, Eu
tenho alguma coisa”. De fato ele escreveu essa que não está nesse álbum,
mas definitivamente estará no próximo. Deveria estar neste, e poderia
estar se não tivéssemos tantas musicas. Teve uma musica acústica que ele
me deu, coloquei os vocais e mostramos para Jim Morris e ele adorou.
KP – Outro aspecto que eu gostaria de abordar foi o que levou vocês a se
estabelecer, mais relacionado ao que levou vocês a decidirem nesta marca
do gênero. É bem compassado em um estilo tradicional, ainda com a
agressividade de algumas das bandas mais novas. Não é “Nu-Metal”, mas
baseado no Heavy Metal tradicional.
Ripper – Você acertou na mosca, é exatamente isso. Nós crescemos ouvindo
Iron Maiden, Priest e Sabbath, mas não nos prendemos ali. Eu não agüento
quando uma banda não mantém a mente aberta e ficam presos em uma era.
Aqueles são alguns dos melhores álbuns de todos os tempos, mas você tem
que seguir em frente, que foi o que coloquei ao John. Ei, diga algumas das
bandas de Rap que o influenciaram.
Comprix – Uhmmm, certo!
Ripper – Eis como funciona. Nossas influências são pra mim desde Black
Sabbath até Judas Priest e da mesma forma pra ele sendo um guitarrista.
Você começa a buscar outras coisas.
Comprix – Eu já disse mil vezes, eu sou uma bagunça. Eu venho desde Black
Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden, Dio, Ozzy até o movimento Thrash no
final dos anos oitenta, que foi o que sempre amei. Você sabe, Metallica,
Kreator, Testament, Exodus, mas também adoro hard core, então adoro
Madball, Full Blown Chãos, Hatebreed. Então, você sabe, eu quero dizer que
adoro isso tudo do mesmo jeito. Pra mim não é apenas um único gênero, eu
gosto de tudo. Eu sou um cara do Metal, eu adoro metal e aprecio de tudo.
KP – Você é realmente um excelente guitarrista, está pronto para aparecer
nas capas de algumas destas revistas de guitarr. Eu sinto que você merece
depois deste disco por que as pessoas vão começar a ouvi-lo e,
honestamente, o pessoal sabe o que esperar do Ripper. Ele é simplesmente
um dos melhores vocalistas do metal em atividade, um baterista potente, um
grande baixista e aqui está você com alguns riffs na guitarra que fazem
você dizer “Wow, onde estava esse cara”.
Comprix – Obrigado, eu realmente agradeço isto.
Ripper – Sim, é por isso que ele está aqui em Nova York comigo e eu disse
o tempo todo que, depois das pessoas escutarem o álbum e nos verem em
turnê,, as peças vão se encaixar e vão saber que John e eu fizemos isso
juntos. Até esse dia chegar, porque as pessoas não puderam ouvi-lo ou
vê-lo, não vão saber exatamente como soa. Então eu disse que teríamos que
trazer o John para Nova York para falar com as pessoas, já que vai
acontecer de qualquer maneira, então por quê esperar? A bola vai começar a
rolar de verdade, agora se vai atropelá-lo e passar por cima dele eu já
não sei.
KP – Mais uma vez a necessidade dos reservas em Ohio. Você se referiu ao
fato de eu conhecer algum material por ter pegado a banda na “Metal
Insurgence Tour”. Que tipo de pensamento estava passando pela sua cabeça
com isso, por que estavam com uma banda tecnicamente nova na época. Vocês
estão tocando com Chris Caffery e Jon Oliva, apresentando material que não
foi gravado para ninguém conhecer, mas vocês o fizeram, de qualquer
maneira. Agora, eu lembro de estar colado ao chão quando vocês estavam
gravando e eu estava tentando tirar algumas fotos sem o Ripper me bater
por causa do Flash (Ripper e John riem). Eu percebi uma ou duas vezes,
então me movi para onde você estava John.
Ripper – Bem, as coisas novas são sempre assustadoras e poderia ser da
mesma maneira com a turnê do Anthrax que estamos fazendo. Quero dizer que
apenas 30-40% das pessoas terão baixado o álbum até lá, mas é o tipo de
musica que você pode trazer sem que as pessoas a escutem antes. Nem tudo é
exatamente assim, mas isto é, e está basicamente “logo ali”. Nós não
precisamos de fumaça e espelho por que essa musica está bem diante de
você. Quero dizer que em “Coming at You” todos estavam cantando, mesmo sem
saber. Nem eu sabia, mas é devido à esse tipo de musica. É pesado, com uma
guitarra marcante, musica que simplesmente está ali.
KP – Eu concordo que é um material bem “ao vivo” e isso foi mostrado muito
cedo.
Ripper – Nós tocamos bem e estamos juntos, tendo uma grande diferença
quando tocávamos de forma mais solta É um evento fracassado, mas nós
praticamos e ensaiamos tudo. Nós não nos encontramos todos juntos para
aquela turnê ou para o primeiro show, nós não fizemos coisas como isso.
Nós não sentamos lá e tentamos nos juntar. Nós ensaiamos musicas, se você
acha que pode imaginar. Não tínhamos certeza que aquele show onde você
estava iria continuar por que aquele lugar era um desastre. Quero dizer, o
P.A era tão grande quanto a minha bunda, de verdade. Nós tiramos uma foto
da minha bunda ao lado e a placa de som era tão grande quanto minha bunda.
Comprix – Foi a maior placa que eu já vi. (risadas)
Ripper – E tinha uma lâmpada pendurada lá e eles disseram que a energia
não seria suficiente para o equipamento de todo mundo. Então eu disse
“Bem, vamos tocar”, porque vocês pensam que isto é um pesadelo. Bem, nós
temos o tipo de musica que basta ligarmos os amplificadores e tudo passa a
funcionar. Quando terminamos de nos aprontar as outras bandas apareceram e
disseram “muito bem, vamos fazer isso”. Não foi como “Oh, o Tim vai fazer
então nós vamos fazer também”, mas foi como “nós podemos fazer”. Pode não
ter tudo, todos os acessórios e essas coisas, mas no fim acabou com todos
soando muito bem aquela noite.
KP – Sim, apesar do número de coisas horrorosas naquele show. E todos que
escreveram a respeito disseram a mesma coisa. Chris comentou sobre isso,
apesar de tudo, todos brilharam naquela noite. Todas as bandas foram bem
sucedidas no final, porque nem sempre você vai tocar em um grande lugar e
algumas vezes tudo que pode acontecer de errado acontece.
Ripper – Sim, foi uma boa noite, apesar do “Angel of Retribution” ser
tocado antes de eu ir para o palco. Eu pensei “Que merda é essa que eles
estão fazendo”. Quero dizer, eu estou em dois álbuns do Priest e um do
Iced Earth, e, tudo bem toca-lo, mas porra, eu estou subindo no palco para
o novo álbum do Judas Priest. (Ripper manda o verso “Judas is Rising)
KP – Hey, pelo menos nós sabemos que ele ainda pode se encaixar se for
preciso.
Ripper – É, mas o pagamento tem que ser maior agora.
KP – Então a turnê da qual você está falando vai ser com vocês e a
formação reunida do Anthrax. Vocês já conseguiram assistir algum dos shows
dele para ter uma idéia de como vai ser?
Ripper – Não, não consegui por que eles nunca passaram pela nossa região.
Vieram para Colombus.
KP – Tem sido impressionante. E quando os encontrei fiquei impressionado,
como no tempo que aquele material estava no auge. Parecia que todos ao meu
redor também estavam gostando.
Ripper – Estou ansioso porque realizei uma turnê com o Anthrax quando
estava no Judas Priest e eles tinham John Bush nos vocais. Eu sou um
grande fã do Antharx com John Bush, mas também sou um grande fã do Anthrax
com Joey Belladona. Então eu cresci com A.I.R. e sou um grande fã. Bom
material, mas então você pega Anthrax com “Only” e “Black Lodge” e todo
esse outro excelente material do caralho que eles tiveram com John Bush.
Dois vocalistas totalmente diferentes, e se você pudesse misturar os dois
teria um dos maiores vocalistas da história do Metal.
KP – Minha visão pessoal do que poderia funcionar nesta turnê é o fato do
novo álbum ser bem compassado no Metal Tradicional e vocês estarem em
turnê com Anthrax, revistando este material de 1986. Claro que eles estão
mais velhos, mas escutar essas musicas trazem você de volta. Penso que o
material de vocês vai apelar ao publico, tendo em vista que eles já vão
estar em sintonia com o estilo.
Ripper – Eu acho que é uma combinação perfeita e mal posso esperar. A
turnê está marcada para acontecer durante todo o mês de Abril na Europa.
Então se você começar a remar esse barco agora você vai estar lá a tempo
para os shows. Como eu disse, está é uma turnê inteira sem o pessoal
conhecer o material por que o disco não saiu ainda. Mas por outro lado,
está é uma das melhores promo tours que você poderia esperar. O álbum será
lançado em 05/09/2006 nos EUA e 05/11/2006 na Europa. Não conhecemos
oficialmente nenhuma possibilidade de turnê nos EUA agora, mas esperamos
que seja um pouco melhor que a ultima que fizemos.
KP – Quem você escolheriam para fazer uma turnê juntos, se pudessem
escolher um artista?
Riipper – Bem , se eu tivesse a chance de escolher eu ainda adoraria estar
em turnê com Oliva e Caffery porque foi uma excelente formação. Grandes
musica, grandes pessoas, grandes bandas. Observar todos durante todas as
noites foi um estouro. Claro que poderia escolher qualquer um, mas
preferiria escolher alguém que trará dez, quinze mil pessoas. Então talvez
nós devamos abrir para Celine Dion, já que eu não sei quem desenha isso de
outra maneira atualmente. Talvez nós possamos participar na turnê do
American Idol (risadas).
KP – Ozzfest talvez? Ou então a Gigantour.
Ripper – Estamos sendo empresariados por Wendy Dio, então não acho que vá
rolar com o Ozzfest. Gigantour seria legal, e amaríamos fazer isso, e ela
está trabalhando com isso no momento. No entanto, essencialmente,
entraremos em qualquer turnê que nosso Empresário consiga nos colocar e
que valha a pena participar. Nós não queremos participar de uma turnê na
qual a banda principal atraia 500 pessoas. Queremos ter certeza de que
será uma boa turnê.
KP – A existência do Beyond Fear apresenta algum problema para o trabalho
no Iced Earth?
Ripper – Não deveria, se for feito da maneira correta. John está
escrevendo e trabalhando nas coisas para o novo álbum. Porque todos sabem
que eu sou do Iced Earth uma vez que o Iced Earth começar a rolar de novo.
Quando não estamos em turnê eu passo a focar no Beyond Fear. Na próxima
vez que fizermos o Beyond Fear teremos muito mais turnês e, eu imagino,
durante todo o verão. A gravadora sabia disso, e se tivessem adiantado um
mês, como eu havia proposto, teríamos mais um mês de turnê para fazer. Ou
poderíamos fazer a turnê com o Anthrax e o álbum estar pronto para o
publico. Sim, foi atrasado, mas não tem problema por que é muito bom poder
ir lá fora. É bom para o Beyond Fear quando estou lá fora com o Iced
Earth. Estou tocando para muito mais pessoas que poderão que conhecer o
trabalho do Beyond Fear.
KP – Você disse que tem material o suficiente para um segundo disco.
Comprix – Bem, nada que esteja completo, mas o que eu faço o dia inteiro é
sentar e fazer riffs.
Ripper – Eu falei pra ele dar umas idéias com alguns versos e refrões,
como fizemos para o primeiro disco. Mesmo quando estou na estrada posso
pegar um CD e ficar escutando, especialmente se estou com meu laptop
comigo. Posso sempre colocar uma linha de vocal, quer eu esteja
sussurrando ou não. Posso pegar as idéias que tenho aqui ou ali. Na
verdade eu estava de férias quando compus “Words Of Wisdom” ou “Scream
Machine”, porque estava com meu laptop. Fiz os vocais no quarto e depois
tudo acaba se juntando. Por esse motivo que quando o Iced Earth acaba já
temos alguma coisa com a qual trabalhar.
KP – Acho que minha última pergunta será quais são suas esperanças para o
Beyond Fear no cenário do metal mundial de hoje.
Ripper – Sobreviver e dar um passo de cada vez. Acho que temos um disco
ótimo e nós queremos sair lá fora e liderar tudo. Eu acho que outro ponto
importante é ser aceito. Quero dizer, odeio a idéia de ter que caçar
pessoas e matá-las, mas é isso que acaba acontecendo. É um tipo de musica
atípica, onde eles realmente matam pessoas no palco. Trazem-nos para o
palco e realizam sacrifícios.
KP – Lembre-se que classificamos como 9/10.
Ripper – Bem, então você não preenche os requisitos por ser um dos
provedores. É uma das coisas legais em você.
KP – Acho que sou Beyond Fear – além do medo. (putz, que merda)
Ripper – John, qual a sua idéia disso?
Comprix – Eu quero que esse disco agrade as pessoas que realmente amam o
metal. As pessoas que amavam a música que tinha mais de um riff. Não
aquela batida na mizão o tempo todo. Voltar a fazer musica na qual você
realmente põe o disco, escuta as palavras e sabe o que estão dizendo. É
por isso que a musica pesada popular atualmente ainda adora o bom e velho
Metal. Eu ouço tantos clássicos na música como o Motorhead, Dio e é aquela
irmandade que eu quero que nos escute. Eu quero que a mesma pessoa que
escuta esses caras escute um cd do Beyond Fear e diga “Puta que pariu,
isso é foda”, e apreciem simplesmente pelo que é.
Ripper – Ali está o fã de Metal, quando alguém escuta todas essas bandas
acaba seguindo um tipo de linha, Motorhead, Slayer, Dio, Iron Maiden...não
desvia e vai para Poison, Slaughter, etc...
Comprix – Minha intenção é apelar para aqueles que apreciam uma guitarra
bem tocada, vocal e, essencialmente, aqueles que simplesmente querem
ouvi-lo.
KP – Não esqueça de fazer as palhetas do Beyond Fear, pois tenho a
impressão que a garotada vai ficar faminta por elas quando você começar a
tocar.
Comprix – Já estão encomendadas.
Kp – Caras, obrigado pelo tempo e novamente muita sorte no lançamento do
disco de estréia da banda!
Após a entrevista, nosso grupo deixou Times Square, aventurando-se por
GreenWich Village atrás de algum jantar e bebidas. Depois de vários
pedaços de pizza e algumas cervejas depois nos levaram para muitas outras
histórias do Ripper e John. Desculpe não podermos colocá-las todas aqui,
sabendo que não foram parte da entrevista. Espere pelo álbum e veja o
Metal mais uma vez. “Beyond Fear”, álbum auto-intitulado, está disponível
na SPV Records em Maio, em todos os lugares do mundo. Você sente isso,
está chegando perto.
Tradução por Antonio Neto |