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2006 - Roadie Crew
Roadie Crew: Quando e como teve início a idéia de criar uma banda
própria, com suas composições?
Tim Owens: Nos últimos quatro anos tive muitas idéias para músicas,
inclusive uma delas surgiu na época do “Demolition”, quando eu ainda
estava ao lado do Judas Priest. Eu queria mostrar criações minhas para as
pessoas... Idéias que ouço em minha mente quando as tenho. Foi assim que
tudo começou e de forma bem tranqüila fui compondo as músicas. Nada nesse
álbum do Beyond Fear foi feito às pressas e o fato de fazer as coisas de
forma bem sossegada deu bastante substância ao material.
Roadie Crew: Ao seu lado no Beyond Fear estão John Comprix, Dwane
Bihary, Eric Elkins e Dennis Hayes que, inclusive, tocou com você no
Winters Bane. Como foi a formação desse line-up?
Tim: O John vem trabalhando neste material comigo desde o início.
Mostrei para ele muitas músicas que eu tinha feito e começamos a trabalhar
no álbum. Já o Dennis e eu somos amigos há um bom tempo, já como você
mesmo disse, tocamos juntos no Winters Bane, então foi natural fazermos
algo juntos. Quando começamos a banda, o John mencionou alguns amigos e
fizemos algumas jams com o Dwane e o Eric.Demos muita sorte em
encontrarmos uns aos outros, já que nos transformamos em uma boa banda, em
uma boa unidade.
Roadie Crew: E existe algum músico que estava em seus planos
iniciais para a banda e que acabou ficando de fora do line-up?
Tim: Nos planos iniciais estava o baterista Bobby Jarzombeck, que
tocou na banda de Halford e está no Iced Earth. Mas depois decidi que se
ia formar uma banda seria mais legal chamar alguns caras “locais”. É claro
que quando comecei pensei em ter pessoas como o Chris Caffery, Scott Ian e
outros tocando comigo, mas depois resolvi seguir o rumo que segui.
Roadie Crew: Como foi a idéia de formar uma banda propriamente dita
ao invés de um projeto solo levando o seu nome?
Tim: Eu preferi fazer desta forma, pois acho mais legal quando as
pessoas vêem a coisa como uma banda de verdade, conhecem o guitarrista, o
baixista, o baterista, assim como o vocalista. Se eu fosse apenas como o
Tim “Ripper Tim” não proporcionaria para as pessoas essa visão de banda...
Acho muito mais interessante quando temos a imagem da banda, colocamos um
pôster dela na parede. Assim é muito mais legal!! Acho também que os fãs
preferem dessa forma.
Roadie Crew: E como surgiu o nome Beyond Fear?
Tim: Pensei em muitos nomes e também os fãs me sugeriram muitos
outros. Teria que ser um nome que fosse pefeito, que se encaixasse na
música e no estilo que seguimos, e Beyond Fear funcionou muito bem para
isso.
Roadie Crew: Este álbum de estréia foi gravada no Morrisound
Studios, ao lado do experiente produtor Jim Morris. Quais as razões que
levaram você a escolher este time para trabalhar no álbum?
Tim: Trabalhei com o Jim no “The Glorious Burden”, do Iced Earth, e
gostei muito dele, tanto como pessoa quanto como profissional. Ele tira um
ótimo som e é muito bom para dar conselhos em harmonias. Mas as músicas já
estavam prontas quando fomos gravar e ele não alterou nada nelas, porém
fez com que elas soassem exatamente como queríamos. Mas como é ótimo
guitarrista, deu idéias para algumas harmonias... Ele foi perfeito para o
que eu queria com este álbum.
Roadie Crew: Imagino que gravar o Beyond Fear, uma banda que você
criou e participou do processo de composição das músicas, tenha sido um
pouco diferente da época em que você passou ao lado do Judas Priest ou das
gravações do mais recente álbum do Iced Earth. Como você compararia os
sentimentos em fazer o Beyond Fear com os que você teve ao lado das duas
bandas mencionadas?
Tim: No estúdio o sentimento é do mesmo tipo. Dei tudo de mim e
curti muito as músicas... Gravas os álbuns com o Judas Priest foi muito
legal, pois apesar de eu fazer o que eles queriam, eu acreditava no que
estava sendo feito. Já no Iced Earth foi quase como eu gravar o Beyond
Fear, pois o Jon Schaffer já tinha o álbum feito e me passou para que eu
aprendesse as músicas antes. Então quando entrei no estúdio com o Iced
Earth eu já sabia o que deveria fazer, praticamente o mesmo que aconteceu
com o Beyond Fear, pois eu já havia composto as músicas antes de gravar.
Mas, no final, o sentimento de satisfação com o Beyond Fear foi muito
grande, pois era o primeiro álbum que eu tive a maior participação na
parte de criação. Além disso, foi um material onde cantei exatamente como
eu queria, foi muito legal!
Roadie Crew: As músicas do Beyond Fear são muito legais e
apresentam uma atmosfera do heavy metal oitentista com o peso de bandas
mais atuais, além de linhas vocais e riffs de guitarra matadores! Como
você descreveria a sonoridade da banda neste primeiro álbum?
Tim: Como você disse... Eu queria fazer um álbum que eu gostasse de
ouvir, um trabalho que se eu comprasse, ouviria até furar! (risos). Quando
comecei, era isso que tinha em mente... Queria fazer algo que tivesse o
metal clássico, estilo que gosto tanto, mas trazer um pouco mais de
agressividade, de bandas como o Pantera. Sou grande fã desse estilo e
queria adicionar isso ao meu som... Sabe, riffs matadores como os de nomes
como Sepultura ou Pantera. John também gosta muito desse estilo e
trabalhamos nessa fusão do ‘old school’ ao mais moderno.
Roadie Crew: Certo, mas o que você pode nos dizer a respeito das
suas inspirações para a faixa de abertura do álbum, “Scream Machine”?
Tim: Com certeza ela foi inspirada por bandas como Judas Priest e
Dio, que eu amo. Essas bandas tem músicas como “Screaming for Vengeance”,
“Stand Up and Shout” e “Painkiller”, que são faixas velozes e pesadas. Era
isso que eu queria fazer... Uma música com letra e melodias no melhor do
heavy metal clássico. Esta foi à última que John e eu compusemos para o
álbum e ela ficou exatamente como queríamos.
Roadie Crew: Apesar de todas as músicas serem legais, acho que ao
lado de “Scream Machine”, composições como “Save Me”, “Coming at You”,
Dreams Come True” e “And... You Will Die”, serão as favoritas dos fãs.
Quais, segundo sua opinião pessoal, são as mais legais do álbum ou têm
significados especiais para você?
Tim: Tenho várias favoritas e por razões distintas. A “Scream
Machine” é uma delas, por causa das linhas vocais mais gritadas, seguindo
uma linha bem clássica. Outra é “Coming at You”, uma música que pode
agradar tanto os jovens quanto ao pessoal mais ‘old school’. É claro que
“Words of Wisdom” também é uma de minhas favoritas, pois segue aquele
estilo direto do heavy metal, bem “na cara”. Também posso mencionar “The
Faith”, pois nela canto que acredito no heavy metal e que nunca o
deixarei... Se outras pessoas mudam, continuarei fazendo o estilo na forma
clássica.
Roadie Crew: Percebi que algumas letras neste álbum possuem um
caráter bem pessoal, uma delas é “Dreams Come True”. Como foi a decisão de
incluir algumas descrições pessoais às letras do álbum?
Tim: As músicas, como é o caso dessa, quando começaram a tomar
forma já seguiam esse rumo. A “Dreams Come True” fala que as pessoas devem
olhar mais para os seus sonhos, pois não é em todo lugar que está
chovendo, e as árvores estão crescendo, a água correndo... Todos perdem
pessoas que amam, amigos que morrem, promessas que se quebram, mas nos
sonhos está tudo bom, basta apenas fechar os olhos. Nos meus sonhos vejo
minha família, meus pais saudáveis... É uma música pessoal... Quando
descrevo coisas no último verso, vejo o jardim dos fundos da casa dos meus
pais e eu lá quando eu era um garoto. Naquela época, lá era enlameado e
com árvores, agora tudo é verde e as árvores foram cortadas. Eu brincava
muito naquele lugar com meu irmão e com meus amigos... Então, hoje fecho
meus olhos e tudo volta a ser como antigamente. Acho que no lado das
letras, esta é a melhor música do álbum.
Roadie Crew: Gosto muito desse tipo de letra!
Tim: Eu também! Gosto muito das letras desse álbum, pois são coisas
que as pessoas lidam sempre, quando abrem o jornal, vêem tv... Ou então
coisas que ocorrem na minha vida que inclui nas letras. Acho que elas
podem ser sobre qualquer coisa, seja um monstro de metal, críticas a
política ou uma experiência pessoal.
Roadie Crew: Por que vocês optaram por algo mais simples e direto
em termos de ilustração da capa?
Tim: Acho que essa roupagem mais simples se encaixou perfeitamente
no contexto da banda. O nosso som é agressivo e direto, e nossas letras
objetivas... Então, nada melhor do que ter uma capa simples e direta. É o
tipo de ilustração que você coloca em uma camiseta e fica legal! (risos).
Eu queria algo que fosse legal e representasse a banda, não apenas uma
capa de álbum... Queria algo que olhasse daqui a cinco anos e achasse
legal, assim como nosso logo.
Roadie Crew: Ouvi dizer que o guitarrista Lou St. Paul, seu antigo
colega de Winters Bane, havia ajudado você na criação do primeiro logo
para o Beyond Fear...
Tim: Sim, ele ajudou... Era um pouco diferente do logo atual. Eu
tinha adorado aquele, mas acabamos adotando outro depois.
Roadie Crew: E como é sua relação com Lou St. Paul e os demais
integrantes do Winters Bane atualmente?
Tim: Lou e eu somos amigos, temos um ótimo relacionamento. Desejo o
melhor ao Winters Bane e espero que os álbuns deles sejam muito bem
sucedidos e saiam em muitos lugares do mundo.
Roadie Crew: Já existem planos para uma primeira visita do Beyond
Fear aos fãs da América do Sul e Brasil?
Tim: Espero que sim. Já faz bastante tempo que não vou ao seu país
e estou muito ansioso para voltar em breve e fazer shows. Se tudo
funcionar bem, poderemos incluir o Brasil em nossa turnê. O objetivo é
conseguirmos isso!
Roadie Crew: Falando sobre o Iced Earth, Jon Schaffer já está
trabalhando em novas músicas. Você participará do processo de composição
desta vez?
Tim: Provavelmente não muito, pois ele será voltado para uma
história que está na cabeça do Jon... Ele está planejando continuar com a
temática do “Something Wicked this Way Comes” e provavelmente não estarei
envolvido nessa parte.
Roadie Crew: Agora você tem sua própria banda, porém é também
integrante do Iced Earth, uma banda com renome mundial. Como você fará
para conciliar agendas e qual será sua prioridade?
Tim: Obviamente minha prioridade é fazer o segundo álbum do Beyond
Fear, mas o Iced Earth é a banda principal. Eu gosto de dizer que ambas
são minhas bandas principais. Elas viverão juntas, mas em épocas
diferentes.
Roadie Crew: Para finalizar, deixe uma mensagem aos fãs
brasileiros.
Tim: Eu gostaria de agradecer a todos daí, pois sempre foram
grandes fãs para mim. Eu tenho um site no Brasil (www.timripperowens.com.br)
e meus amigos daí trabalham pesado e fazem coisas muito legais. Um grande
obrigado para todos daí e espero poder tocar para vocês ainda neste ano."
Transcrição por Alexandre Bongestab.
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