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2004 - Entrevista com Tim Owens

Nenhum ressentimento com o Judas Priest

Uma bomba que caiu no mundo do metal, no dia 11 de julho de 2003: depois de doze anos longe da banda, Rob Halford estava voltando a se reunir com seus antigos parceiros do Judas Priest. Foi a emissora de notícias CNN que se encarregou de enviar a todo o mundo a informação que Rob Halford estava voltando a seu lugar de direito. E, enquanto os fãs comemoravam, surgia uma questão: O que seria de Tim “Ripper” Owens, o sucessor de Rob no Judas? Poucos sabiam que ele tinha se encontrado com Jon Schaffer e já tinha gravado, sem ninguém saber, os vocais para o último disco do Iced Earth, The Glorious Burden. A  Rock Brigade conversou com exclusividade com Tim Owens sobre todos esses acontecimentos.

ROCK BRIGADE – Vamos começar voltando um pouco no tempo e falar sobre sua última turnê com o Judas Priest, que foi no final do verão (europeu) de 2002. Como as coisas estavam quando a tour acabou? Você acha que os integrantes da banda já haviam se encontrado com Rob Halford antes daquilo?

TIM “RIPPER” OWENS – Quando a tour acabou, eu imaginava que nós iríamos começar a trabalhar num novo disco, mas isso nunca aconteceu. Parecia que não havia planos de se fazer um novo disco. No começo de 2003, começaram a surgir rumores sobre a volta de Rob ao Judas. Então eu procurei os caras da banda e disse: “Olha, se vocês estão querendo trazer o Rob de volta, pra mim está tudo bem.” Eu só queria me manter ocupado, eu sou o tipo de pessoa que precisa estar em atividade.

RB – Então, foi assim, você procurou a banda para falar disso?

RIPPER
– Sim. Se nós fôssemos fazer mais tours e gravar mais discos, eu ficarei muito feliz por permanecer na banda. Eu sempre me dei muito bem com os caras. Mas eu também sabia que eu queria produzir mais. Eu queria produzir meu próprio material.

RB – Mas, por que eles não o deixavam escrever algo para o Priest?

IPPER
– Eu pretendia fazer isso no novo disco. Mas, depois que lançamos o Demolition, saímos de nossa antiga gravadora e ficamos sem contrato. Portanto, tínhamos que esperar até que assinássemos com alguém para recomeçar o trabalho. Então, o pai de Glen (Tipton) ficou doente e tudo simplesmente parou. E, quando eu vi que nosso disco não tinha vendido tão bem, que Rob também não estava indo bem e que ele tinha até cancelado uma tour, imaginei que algo estava para acontecer. Eu até cheguei a me encontrar com Ronnie James Dio e pedir alguns conselhos para ele.

RB – Você e Ronnie são amigos?

RIPPER
– Sim, eu o conheci em um show, alguns anos atrás, e nos tornamos amigos. Ele me disse que se eu quisesse fazer meu próprio trabalho, deveria primeiro sair do Judas. Foi quando eu comecei a me questionar sobre o que eu realmente queria. Eu tinha um porção de ofertas. Algumas delas me dariam um bom dinheiro a curto prazo, mas eu estava pensando algo a longo prazo. E depois que me reuni com Jon (Schaffer) e sua esposa, Wendy, vi que estava tomando a decisão correta.

RB – Até onde sabemos, sua saída da banda foi amigável. Eu conversei com KK Downing no ano passado e ele disse que só tinha agradecer a você.

RIPPER
– Eu só falei com ele e Glen pelo telefone. Nós éramos amigos antes e continuamos amigos agora. E é por isso que eu não queria sair, eu não queria romper essa relação com o pessoal. Se não fosse pelo Judas Priest, eu não estaria aqui hoje, eu provavelmente estaria trabalhando no Wal-Mart (risos).

RB – Então, sua idéia era fazer um projeto paralelo mesmo ficando no Judas?

RIPPER
– Sem dúvida. Quando eu gravei os vocais para o Iced Earth eu ainda estava no Judas. Eu não tinha planos de entrar para o Iced Earth, mas tinha gravado o disco. Veja, eu nunca soube quanto tempo ainda iria ficar no Judas. Eu queria fazer muito mais tours e acabou sendo tudo muito frustrante pra mim. Mas eu estou feliz por eles.

RB – E, no fim, parece que tudo acabou dando certo pra todo mundo: O Rob voltou para o Judas e você entrou no Iced Earth.

RIPPER
– Sim, foi ótimo! O Judas é conhecido desde os anos 80 e vendeu milhões de disco. O Iced Earth, não. Mas hoje o Iced Earth vende mais do que o Judas Priest. É uma situação estranha. Hoje em dia é tudo mais difícil, até vender CDs, mas o Iced Earth vem crescendo a cada lançamento.

RB - Como foi sua entrada para o Iced Earh?

RIPPER -
Eu conheci o Jon Schaffer num show do Judas Priest, em 98 e nós mantivemos contatos desde então. Um dia, ele me ligou perguntando se eu toparia participar de um projeto paralelo e eu disse: “Por que não?” Na mesma época, eu estava em contato com Chris Caffery, guitarrista do Savatage, já que nós estávamos pensando em fazer algo no mesmo sentido. Então, Jon me mandou algum material enquanto Matt (Barlow, ex-vocalista da banda) estava gravando os vocais para The Glorious Burden. Enquanto o disco estava sendo mixado, Jon me ligou  de novo e disse que os vocais de Matt não tinham ficado legais. Então, ele perguntou se eu topava participar do disco como vocalista convidado e eu aceitei. Uns poucos dias depois, surgiu a notícia da volta de Rob, ou seja, eu tive muita sorte. Na verdade, eu ainda não tinha decidido entrar no Iced Earth porque tinha varias outras propóstas. Mas, hoje, acho que foi a melhor decisão que tomei na minha carreira. Eu me dou muito bem com o Jon e tenho certeza que foi uma mudança para melhor. Mas eu ainda pretendo fazer meu projeto solo.

RB – O que você pode adiantar sobre esse projeto?

RIPPER
– Eu já estou em estúdio com alguns amigos. E Jon está dando todo o apoio, porque ele tem seu próprio projeto paralelo, o Demons & Wizards. Vai ser um trabalho de heavy metal, algo como Judas Priest da fase British Steel misturado com Black Sabbath e Antrax. Mas um negócio mais básico, entende? Afinal, eu escrevi as partes de guitarra e não sou nenhum Scott Ian ou Jon Schaffer (risos).

RB – Você colaborou como compositor em The Glorious Burden?

RIPPER
– Sim, eu escrevi a letra e a melodia de Red Baron/Blue Max. Jon pediu que eu o ajudasse a escrever as letras de Attila e Waterloo, mas infelizmente, eu não dispunha de tempo para estudar os temas de que elas tratavam, já que estava muito empenhado em aprender as letras e as melodias das outras músicas. Então, tive que recusar.

RB – Sendo o Jon um aficcionado por história, você certamente teria que estudar muito...

RIPPER –
Sem dúvida. Ele tem uma loja chamada The Spirit of ’76 e ela é igual a um museu. Até a casa dele é igual a um museu (risos)! Ele é um verdadeiro apaixonado por história militar – e não apenas história americana, mas de todo o mundo.

RB – como é gravar com Jon, em comparação com o Judas?

RIPPER
Demolition fou gravado na casa do Glen e The Glorious Burden, na casa de Jon. Na gravação com o Iced Earth eu copiei as melodias do Matt, o que tornou o trabalho um pouco mais simples. Com o Judas foi um processo mais longo. Eu gravei todo o disco do Iced Earth em cinco dias, enquanto que o do Judas levou meses.

RB – As partes orquestrais já tinham sido gravadas?

RIPPER
– Esse é uma história interessante. Quando o Jon me chamou, Matt ainda fazia parte da banda. Mesmo assim, Jon me comunicou que estava indo para Praga a fim de gravar a orquestra. Ou seja, ele me colocou a par de tudo que estava rolando antes mesmo de eu me tornar um membro efetivo do Iced Earth.

RB – O Iced Earth está lançando um DVD com os 32 minutos da música Gettysburg (N. do T.: Acontecida em 1863, Gettysburg foi uma batalha que durou três dias e que acabou se tornando um dos eventos mas importantes da Guerra Civil americana)?

RIPPER
- Sim. Mas não vai ser um típico DVD de heavy metal. Vai ser algo bem inovador para os fãs, já que vai trazer muita informação histórica. O vídeo vai mostrar todo o processo de gravação e cenas comigo e Jon tocando algumas partes acústicas. Além disso, é lógico, vai trazer clipes, também, além de encenações da Guerra Civil. Estamos pensando em lançar um DVD ao vivo também, mas Jon queria soltar algo diferente antes, e eu acho que foi uma grande idéia.

RB - Quando vocês saírem em turnê vão tocar material antigo do Iced Earth?

RIPPER –
Sim, sem dúvida. Só não decidimos ainda quais músicas vão ser.

RB - E você pretende cantar alguma música do Judas Priest?

RIPPER –
Não, sem chance! Mas vamos tocar Gettysburg na íntegra! 

RB – Como vocês vão fazer para reproduzir as partes orquestradas?

RIPPER –
Vamos trazê-las pré-gravadas em computador. Lá vão estar as orquestrações, os corais.

RB – Bem, se vocês vão tocar uma música de 32 minutos, imagino que vão ser a atração principal da tour...

RIPPER –
Sim, é exatamente isso que vamos fazer, mas, depois de uma tour mundial como headliner, acho que seria interessante fazer uma tour abrindo para uma banda maior, como Iron Maiden ou mesmo o próprio Judas Priest.

RB – Você acredita mesmo que isso possa acontecer?

RIPPER –
Na verdade não sei, mas eu gostaria muito que acontecesse. Nós somos amigos, todos nós nos damos muito bem. Não ficam ressentimentos. Talvez eu e Rob possamos até cantar alguma música juntos. Eu acho que se houver uma boa proposta, isso pode acontecer. Seria uma show excelente.

RB – O Iced Earth irá tocar na América do Sul?

RIPPER –
Eu não sei. Eu toquei lá com o Judas Priest e foi ótimo, os fãs são simplesmente incríveis! Mas se formos para lá, será apenas depois de tocarmos nos  Estados Unidos e na Europa.