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Desde o primeiro minuto que
fiquei sabendo que Tim "The Ripper" Owens faria esse show especial no
aniversário do Manifesto, o pensamento era "O que esse cara vai tocar?"
Era meio óbvio que teriamos muita coisa do Judas, talvez alguma coisa do
Beyond Fear, e para quem estava por dentro de como foi a saída dele do
Iced, já tinha consciência que as chances de ouvir alguma coisa da sua
época na banda eram próximas do zero. De resto, muita especulação, Sabbath?
Malmsteen? Ozzy? Enfim, muita especulação e a única certeza era de que
teríamos muita coisa do Priest. Nenhuma surpresa, pois é fato que o cara
ama a sua passagem pela banda.
Depois de uma longa espera, a casa lotada, Tim e a banda entram no palco,
Tim é ovacionado com o já esperado coro de "Ripper, Ripper, Ripper", e
então temos os primeiros acordes de Metal Gods do Judas Priest, clássico
absoluto da banda e que já deu o caminho do que seria o set-list dessa
noite, recheado de clássicos do Priest e com algumas "participações
especiais".
Em seguida, uma das, senão a melhor música que Tim gravou ao lado do
Priest, Burn In Hell, uma pena o Judas não tocar essa música ao vivo hoje
em dia. Lembro-me das primeiras vezes que ouvi essa música, ainda não
conhecia esse tal de "Tim Owens" e pensei "Como isso é foda, esse é o cara
certo pra essa banda", não pude vê-la ao vivo nos shows do Judas com o
Ripper por aqui, mas nesse show pude conferir, fantástica.
Como já era de se esperar, ao anunciar a próxima música, a famosa pergunta
aos fãs "WHAT´S MY NAME?" era a hora de mais um clássico do Priest, "The
Ripper", música que dá o apelido de Tim Owens. Na seqüência, a única
música do Beyond Fear que foi tocada no show, "And You Will Die", uma das
melhores do cd, muito bem executada e o vocal sempre perfeito, legal ver
todo mundo cantando e agitando nessa música, visto que o Beyond Fear não
foi tão divulgado assim. Antes da música, Tim deixou claro o desejo de um
dia trazer o Beyond Fear para o Brasil, vamos esperar que isso realmente
aconteça um dia.
Após mais uma conversa com a platéia, uma música da sua nova parceria, Tim
Owens e Yngwie Malmsteen, a clássica Rising Force, não sou fã do cara,
gosto apenas das "clássicas" dele, obviamente essa é uma delas e ficou
muito bem na voz do Tim. Aqui vale um comentário, Malmsteen sempre esteve
muito bem servido de vocalistas, Jeff Scott Soto, Joe Lynn Turner, Doug
White e agora Tim Owens, todos de um nível absurdo. Na seqüência, mais uma
do Judas, The Green Manalish, mais uma cantada com extrema perícia por
Tim.
Eis que surge aquela que para mim foi a maior surpresa da noite e também a
mais agradável delas, Highway Star do Deep Purple, essa foi uma das
músicas mais inesperadas da noite, e foi uma surpresa que caiu com uma
luva na voz dele, não soando forçada, muito menos deslocada, ponto para
quem escolheu essa. E o mais legal de ver ele e os caras da banda tocando
essa e outras músicas, é ver na cara deles o quanto eles estão gostando de
estar ali, o prazer em tocar músicas que fizeram eles se tornarem o que
são hoje, muito legal isso.
Na seqüência, mais uma do Judas, Electric Eye, é impressionante como
parece que 90% das músicas do Judas foram escritas para a voz do Tim, dá
para contar nos dedos as músicas que ele cantou na banda e não ficaram
boas com ele. Depois de Electric Eye, Tim chama Dani Nolden do Shadowside
para acompanhá-lo na próxima música, Flight Of Icarus do Iron Maiden, ele
já tinha gravado essa música para um tributo ao Maiden e cantou muito bem
ao vivo, e a Dani também mandou muito bem na sua participação, alternando
vocais mais agudos com vocais um pouco mais graves, muito boa a mistura e
que servir para deixar o palco um pouco mais agradável por alguns
momentos.
Mais uma do Judas e a segunda da "era Tim" na banda, One on One, mais uma
vez deu pra ver que todo mundo que estava ali realmente conhecia o
trabalho do cara (e obviamente do Judas) todos cantando a música
inteirinha.
Hora de dois clássicos absolutos do heavy metal, primeiro um clássico do
Sabbath, Paranoid, apesar de achar que as músicas da "era Dio" se encaixam
melhor no vocal dele, obviamente que Paranoid também ficou muito boa.
Depois veio um dos hinos do Judas Priest, Breaking The Law, cantado a
plenos pulmões por todos que estavam presentes. Ninguém pode se dizer fã
de heavy metal se não conhecer essas músicas, são obrigatórias no
aprendizado do qualquer headbanger e não podiam faltar nessa noite.
Mais uma surpresa, Tim anuncia uma música do KISS, e enquanto todos
gritavam por Rock and Roll all Night, Shout It Out Loud e outras, ele
surpreende com Cold Gin, uma escolha bem diferente, visto que não é das
mais manjadas do KISS, talvez essa tenha sido a música que menos agitou a
galera. Para fechar o show, mais uma do Priest, Grinder, ao final, Tim
agradece ao público, pergunta se ele voltasse lá no dia seguinte para mais
um show, se todo mundo iria, não preciso dizer qual foi a resposta,
parabeniza o Manifesto pelos seus 14 anos, deixa o palco e a galera
pedindo por mais músicas.
Poucos minutos depois, Tim e a banda voltam para o palco e Tim assume uma
das guitarras para Living After Midnight do Judas, cena rara e poucas
vezes vista, Tim cantando e tocando, no mínimo estranho, pois ele ficava
praticamente imóvel o tempo todo, para não se perder e não conseguir fazer
nem uma coisa nem outra, no final ele se saiu bem, até arriscou um solo,
muito melhor do que Bruce Dickinson quando se aventurava a tocar guitarra
durante a execução de Revelations nos shows do Maiden.
No final, ficou aquele gostinho de quero mais, por causa do set-list um
pouco curto, mas levando em conta que os caras não fizeram nenhum ensaio,
está ótimo.
Ainda vale destacar a competência de todos da banda e a alegria que se via
no rosto de cada um enquanto estavam ali tocando aquelas músicas. Mais uma
vez, quem faz aniversário é o Manifesto e quem ganha o presente é a gente.
Agora é torcer para que o Tim consiga passar por aqui com o Beyond Fear ou
ao lado de Andreas Kisses e companhia, com o Hail!
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