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:: RESENHAS

 

 

:: JUGULATOR:
P
or Daniel Lopes

 

Para início de conversa vou deixar uma coisa bem clara: a típica opinião de que esse álbum é fraco apenas pelo fato de não ter Rob Halford nos vocais, não tem base nenhuma. Tim "Ripper" Owens não é responsável pela música ou letras do Jugulator. Dizer que ele não tem uma grande performance aqui também é bem difícil de se justificar. Tudo bem que Jugulator não soa em nada como o Priest clássico, no máximo podemos dizer que é um Painkiller mais pesado. E se tem algo que ele possui, é peso! As guitarras de K.K. e Glenn e principalmente a bateria de Scott Travis beiram o Thrash metal sem nenhum exagero em muitos momentos. Pois foi exatamente por ser o sucessor de Painkiller e por não ter Halford que esse álbum tinha tudo contra ele. E pode-se dizer que ele aguentou a pressão e se saiu muito bem. A escolha de um fã de Halford para o vocal, com seus agudos fantásticos e a adição de guturais, algo nunca feito pelo Metal God antes, trouxe um ar renovado e "moderno" à banda, que já estava há 7 anos sem lançar nada de novo e parecia até esquecida e obscurecida pelo Fight, projeto solo de Rob, também carregado no peso. Outro ponto forte foi a produção, que enfatizou o peso das guitarras e adicionou efeitos sonoros como ecos, grunhidos de animais, gritos de condenados à morte, espadas cortando cabeças, etc, aliados à acordes melodiosos porém "demoníacos". Um ponto fraco especialmente são os solos de guitarra, outrora marca registrada do Priest, mas que neste álbum ficaram um pouco esquecidos.

O álbum começa com a faixa-título Jugulator e não podia começar melhor. Logo no início, a música parece um robô sendo construído, tomando vida aos poucos. Um riff distorcido é a primeira coisa que se ouve, seguido por uma melodia assustadora de guitarra. Entra finalmente a voz de Ripper, apenas falando, até que surge o primeiro agudo demolidor. A partir daí Scott Travis desponta e surpreende a todos com um peso acima do nível de Painkiller, com bumbos duplos. O que se vê no restante da música é uma variedade de riffs, alguns no estilo thrash. Que grande abertura para um álbum que dava parecia dar medo nos fãs ainda assustados.

Blood Stained
tem um início baseado em guitarras melodiosas que logo explode em riffs pesadíssimos da dupla de guitarristas e mais uma vez o vocal do novato é testado com variações diretas do agudo ao grave (e ele se sai muito bem). O forte desta música é o refrão, cativante e sempre cantado em coro pelo público durante os shows em que foi executada.

Dead Meat
- O som de um cão ou algum animal selvagem grunhindo já demonstra a brutalidade que nos espera. E mais um riff thrash surge, e então daí para frente, haja pescoço! Grande refrão e Tim Ripper vai colocando um grande sorriso nos rostos do fã que não dava nada por ele.

Um diálogo sinistro entre um carrasco e um condenado à morte, seguido por um telefonema atendido friamente, é mais uma mostra de quão pesado é o clima deste álbum. "Dead... Man... WALKING!" E inicia-se a música mais "pegajosa" de Jugulator, Death Row. Mais uma vez temos um refrão perfeito para ser cantado ao vivo. Aí já percebe-se que o Judas está musicalmente diferente do seu padrão, agradando àqueles que gostam de muito peso e desagradando aos que preferem melodias e baladas.

Decapitate
é facilmente a música mais fraca do álbum. Não, ela não é ruim, apenas não é dotada de grande criatividade, os riffs não parecem ter muita continuidade. Previsível, é a palavra certa.

O que dizer de Burn in Hell? Eu lembro bem de ver o clip, quando nem sabia que o Judas estava pra lançar um novo álbum. A cadenciada intro, atmosférica, soturna, com linhas de baixo marcadas me agradou de primeira. Ao ver o novo vocalista, logo fiquei ansioso para ouvir sua voz. O que ouvi inicialmente foram frases ditas quase de forma sussurrada, levemente gutural, não lembrando em nada o antigo vocalista. E de repente uma rápida frase: "Scream in the niiiiiiight!". Opa! Aí está o clássico agudo! O que esperar em seguida? A música parece acelerar, indo em direção a algo... "You´re going... TO BURN IN HELL!" Pronto, um sorriso surge em meu rosto! Já aprovei definitivamente a voz do jovem cantor substituto... E mais um refrão memorável é o que temos, com mais agudos espetaculares.

Brain Dead
, que chama a atenção pela letra, entrando na polêmica da eutanásia. Mas musicalmente não é um ponto alto do álbum, embora tenha um clima meio Black Sabbath, o que quase sempre tende a ser algo bom. Os riffs bem pesados são nesse caso melhores do que o vocal que honestamente não me impressiona muito.

Abductors
é uma música marcada por variações vocais agudo-grave bem interessantes, embora dessa vez o instrumental não seja grande coisa. Novamente os solos não estão muito inspirados.

Bullet Train
, trem-bala. Pois na intro desta música realmente a impressão que temos é de estar ouvindo um poderoso trem dando partida. Fantástica canção. A melhor parte é o pré-coro onde parece que existem vários Tim Owens, alguns emitindo guturais e outros com vocal limpo.

Para terminar, Cathedral Spires. Uma obra de arte, que traz à minha mente o mesmo clima de Blood Red Skies. A parte inicial, melódica, é de deixar de queixo caído, tamanha a perfeição do vocalista. Na metade, surge o riff pesado e a aceleração, perfeitos para se "banguear", completando com mais um belíssimo refrão. Uma pena essa música nunca ter sido tocada ao vivo. Aliás tenho muita curiosidade de ouví-la na voz de Halford. O importante é que ela fecha com chave de ouro a estréia do novo vocalista, que fora recebido de forma pessimista pelos fãs.

Enfim, o que temos é um CD do Judas Priest, com elementos bem diferentes dos tradicionais, seguindo uma evolução natural do Painkiller, em termos de peso, com alguns momentos de pouca criatividade, marcadamente os solos, mas que nas partes em que ele é brilhante, consegue agradar em cheio qualquer fã de Heavy Metal.