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:: RESENHA:
O início da turnê brasileira de promoção
de Play My Game, primeiro álbum solo de Tim “Ripper Owens, foi realizado
no Manifesto Bar (SP), no último dia 16 de outubro para uma platéia com
cerca de 300 a 400 pessoas.
A abertura ficou a cargo da banda paulistana Burn Down, que para
surpresa de todos, se apresentou dignamente tocando algumas músicas
próprias deu EP "101% Pure", além de alguns covers. Formado por
Victor Toreto (vocal), Mario Malke
(bateria), Bruno Santos (baixo) e Guiler Cruz (guitarra) infelizmente
tiveram alguns problemas técnicos durante o show, tendo que sair do palco
por um tempo. Após o incidente a banda voltou e fechou a apresentação com
muita competência e profissionalismo. Com certeza, será uma das grandes
promessas do Heavy Metal Nacional.
Por volta de 1:30 da manhã, Tim "Ripper" Owens entra rasgando no palco do
Manifesto com "Painkiller" (Judas Priest), junto com o Tempestt como banda
de apoio. BJ (vocal e guitarra), Paulo Soza (baixo), Gabriel Triani
(bateria) e Leo Mancini (guitarra) estão de parabéns pelo ótimo
entrosamento e desempenho mostrado.
A platéia, pequena, mas barulhenta,
cantava cada palavra, agitava e curtia muito aquele momento. Em seguida
Tim então anuncia outra do Judas Priest, com a sua já famosa pergunta:
“What’s My Name?”. Era a vez de "The Ripper". Após isso o público já
estava em casa, tanto que alguém gritou o nome da música "Mr. Crowley", de
Ozzy Osbourne, (primeira música que Tim gravou com Yngwie Malmsteen em um
tributo à Ozzy) para Tim responder com muito bom humor, “Não, eu sou o Mr.
Owens” ocasionando risos gerais. Nessa hora Tim encontra no platéia esse
quem vos escreve, devido ao eu estar usando o boné que Tim havia me dado a
alguns meses atrás. Tim disse: "Johnny got his hat on". Outras vezes Tim
falou comigo, no meio do show, mas essa citada foi a mais interessante.
O som estava excelente, com todos os
instrumentos nítidos. A atmosfera pequena do Manifesto só tornava o show
mais empolgante, devido à proximidade com os músicos. Chegava à hora de
uma música de sua fase no Judas Priest, e nada melhor do que uma das
melhores, "Burn In Hell", do álbum "Jugulator" de 1997, onde mais uma vez
provou como a interação do público nessa hora é impressionante. Esse ano,
aliás, Tim se mostrou mais solto e comunicativo com o público, inclusive
fez muitas brincadeiras com os fãs.
De seu álbum solo veio à pesadíssima e
muito bem executada "Believe", gerando aplausos do próprio autor. Em
seguida, para a alegria dos fãs mais experientes, Tim executou de forma
brilhante "Highway Star" (Deep Purple), intercalando vocais com BJ, num
ótimo dueto. Destaque para o excelente baixista Paulo Souza, que tocava os
sons da introdução de teclado no próprio baixo! Vamos torcer para quem um
dia Tim posso regravar essa música para algum tributo ao Deep Purple,
porque essa música combina direitinho com seu estilo.
Mais Judas Priest estava
por vir, e dessa vez veio à clássica "Electric Eye". Não sei porque ainda
existem fãs que criticam a voz de Tim no Judas Priest. Deve ser por
fanatismo pela formação clássica com Rob Halford, que não aceitaram vê-la
sem seu membro preferido, ou por puro preconceito xiita. Ambos possuem
técnicas e alcances vocais enormes, e com isso, qualidades diferentes, mas
excelentes. Deixem de preconceito infantil e saibam apreciar, não só
Halford, mas também Tim, porque dizer que esse último não chega aos pés de
“herói” é no mínimo ridículo, ou surdez mesmo.
Seguindo o show, tivemos a
única música do Beyond Fear no repertório, repetindo a escolha do ano
passado, a pesada e agressiva "And You Will Die". O público presente veio
abaixo nessa hora, e era visível o descontentamento de todos por não ter
outras faixas dessa banda no show.
Após a porradaria, era hora de algo
mais clássico, e nada mais justo, e bem escolhido, como "Rising Force".
Não sou um grande apreciador da música de Yngwie Malmsteen, mas essa faixa
ficou extremamente agressiva e empolgante. Um dos pontos altos de todo
show, sem dúvidas. Ponto para o excelente guitarrista Léo Mancini, que
executou de forma brilhante todos os solos do sueco.
Uma pequena acalmada
do público veio com a cadenciada "Starting Over", do álbum solo de Tim,
com uma influência gritante de Black Sabbath da fase de Ronnie James Dio.
Nessa hora, emocionado, Tim olha para cima e dedica essa música a um amigo
que havia falecido algumas semanas atrás.
"The Green Manalishi" com seu
groove e levada característica trouxe de volta o público da viagem
anterior ao bom e velho Heavy Metal. O ponto alto, ao meu ver, veio em
seguida com o magistral, e melhor, cover gravado pelo cantor: Flight Of
Icarus do Iron Maiden, com o público na mão e pulando a cada compasso
executado. Impossível ficar parado nessa música, e com a voz de Tim tudo
soou mais agressivo ainda. Impecável.
Mais duas do Judas Priest, o
clássico "Grinder" e "One On One", essa última do álbum Demolition de 2001.
Uma pena não fazer parte do set mais músicas de sua fase na banda.
Chegando ao final do show, que durou em torno de 90 minutos, tivemos uma
surpresa agradável com "Symptom Of The Universe" (Black Sabbath) e para
fechar os dois maiores hinos do Judas Priest: "Breaking The Law" e "Living
After Midnight".
Ao final do show, como de costume, Tim atendeu a todos os
fãs com autógrafos, fotos e sua humildade característica. Uma noite
grandiosa para os que foram, e para aqueles que não foram, sinto muito,
perderam um excelente show de uma das maiores vozes do Metal atual.
Agradecimentos especiais a Silvano (Manifesto Bar), os promotores da Free Pass
Entretenimento, Ricardo e Bruno Garrido pela cordialidade.
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