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20/12/2008 - Manifesto Bar, São Paulo, SP, Brasil
Texto e fotos por Johnny Z., Rafael Chinini e Marcos "Bullino" César de Almeira
Agradecimentos aos colaboradores Thiago Rahal Mauro, Rafael Chinini, e Rodrigo Vecchi

:: SET LIST:

Metal Gods (Judas Priest)
Burn In Hell (Judas Priest)
The Ripper (Judas Priest)
And You Will Die (Beyond Fear)
Rising Force (Yngwie Malmsteen's Rising Force)
The Green Manalishi (Judas Priest)
Highway Star (Deep Purple)
Electric Eye (Judas Priest)
Flight Of Icarus (Iron Maiden)
One On One (Judas Priest)
Paranoid (Black Sabbath)
Breaking The Law (Judas Priest)
Cold Gin (Kiss)
Grinder (Judas Priest)
Living After Midnight (Judas Priest)
 

:: RESENHA:

O "longínquo" ano de 1996 me veio a cabeça alguns minutos antes de escrever essa resenha. Qual o motivo? Simples, foi o ano que o até então desconhecido vocalista da banda Winters Bane, Timothy Steven Owens, assumiu uma posição que muitos não imaginariam que um dia estaria vaga. Rob Halford estava fora do Judas Priest, e a banda recruta um "novato" para o cargo deixado pelo Metal God. Nunca imaginávamos uma outra voz para o Judas Priest, muito menos que um fã confesso da banda e também de Rob Halford fosse assumir o posto de frontman de uma das maiores lendas do Heavy Metal mundial. Muitos narizes, ridiculamente, torceram mesmo sem antes ter ouvido o que seria o novo álbum da banda, uma série de "hostilidades" começaram a aparecer em revistas e na mídia da música (a internet ainda engatinhava aqui no Brasil).

Até que no ano seguinte é lançado "Jugulator", mostrando uma sonoridade pesadíssima e um vocalista digno para a posição que ostentava. Vocal poderoso, agudos perfeitos, peso descomunal, não lembrando em nada o que a banda havia feito até então.
Pois bem, depois de mais um álbum de estúdio e dois ao vivos, eis que acontece o inevitável, Rob Halford volta a banda e Tim "Ripper" Owens, se "muda" para o Iced Earth de Jon Schaffer, que havia perdido seu então vocalista, Matthew Barlow, gravando com a banda dois álbuns e dois singles de grande sucesso, e mais uma vez o inevitável acontece, Matthew Barlow volta e Tim se despede do Iced Earth de uma forma não tanto cordial pela parte de Jon Schaffer, mas isso é outro assunto.

Tim, ainda no Iced Earth, também nos mostrou sua capacidade de criação e composição com sua outra banda, o Beyond Fear, lançando seu debut álbum e sendo muito bem recebido pela crítica especializada.
Atualmente, Tim se juntou ao guitarrista Yngwie Malmsteen, lançando o álbum "Perpetual Flame", fazendo também muitos shows com o a banda do guitarrista pelo mundo, e foi nesse descanso da turnê com Yngwie Malmsteen que Tim veio ao Brasil pela segunda vez (a primeira em 2001 ainda com o Judas Priest, em dois shows no Credicard Hall), para a comemoração de 14 anos do Manifesto Bar, tradição da casa que vem trazendo excelentes atrações internacionais para a data.

Para acompanhar Tim, uma banda de apoio totalmente formada por brasileiros foi escalada para a ocasião: os irmãos Andria e Ivan Busic, respectivamente baixista e baterista do Dr. Sin, Hard Alexandre (Madgator) na guitarra e Ulisses Miyazawa (guitarra).

O Manifesto estava completamente lotado, já se passava da 1 hora da manhã, quando a banda e Tim, usando seu tradicional boné, óculos escuros e jaqueta de couro, entram no palco para delírio dos fãs presentes já emendando um coro de "Ripper, Ripper". Tim estava visivelmente feliz de ver a manifestação do público, quando os primeiro acordes de "Metal Gods" do Judas Priest saem dos amplificadores. O som estava excelente, nítido, não tanto para as guitarras que estavam meio sem o "peso" que a voz de Tim pede, mas isso não interferiu em nada a apresentação, porque ambos guitarristas são de extrema competência, com destaque para Hard Alexandre, o "Malmsteen brasileiro", impressionante como estilo de tocar, os malabarismos e tudo mais, eram idênticos ao sueco.

Logo em seguida, outra música do Judas Priest, essa da fase de Tim, "Burn In Hell". Essa música é sem sombra de dúvidas umas das melhores músicas que Tim gravou ao lado dos ingleses. O público cantava cada palavra da música junto com Tim, deixando-o muito a vontade no palco. Engraçado era ver que a cada intervalo Tim pedia e agradecia o público presente, brindando com cerveja e sempre pedindo mais, brincando a todo instante, mostrando toda sua simpatia e humildade de sempre.

Eis que surge a pergunta: "What's my name?", lembrando os álbuns ao vivo que Tim gravou com o Judas Priest. Era a vez de "The Ripper", clássico da banda, qu na voz de Tim ganha outra pegada, sem desmerecer a voz de Rob Halford logicamente, mas Tim dá outra "roupagem" aos clássicos do Judas, parece que ficam mais atuais, mais pesadas, o que muitos gostam e até o preferem, e me incluo nisso claro (risos).

Muitos me perguntavam o que ele iria tocar antes do show, e consegui manter o segredo até o fim, muitos queriam saber se iríamos ter músicas do Iced Earth ou Beyond Fear. Infelizmente não tivemos Iced Earth por razões óbvias, já citadas no começo dessa resenha, mas tivemos sim uma música do Beyond Fear para delírio dos fãs presentes. "And You Will Die", foi tocada de forma perfeita, com Tim cantando muito, pena que a falta do peso original dela fez um pouco falta, não por culpa dos guitarristas como ja disse previamente. Quem sabe um dia não vemos o Beyond Fear ao vivo no Brasil, e poderemos conferir todo o peso da guitarra de John Comprix?. Vamos torcer.

Vale aqui um comentário a respeito dos irmãos Busic: Perfeitos como de costume!. Estavam curtindo muito o momento, e tocavam com uma garra absurda. No backstage pude conversar com Ivan e esse me disse que tocando músicas antigas do Judas Priest o faziam parecer um garoto de 15 anos, tamanho a empolgação e adrenalina que essas músicas passavam.

Mais uma pausa para "abastecimento alcoólico" e a banda solta uma surpresa, "Rising Force" de Yngwie Malmsteen. Hard Alexandre deu um show a parte nessa música, com muita empolgação, técnica e muito malabarismo. Tinha horas que achei que levaria umas "guitarradas" na cabeça (risos). Tim mostrou se encaixar perfeitamente nessa música. Confesso que não sou um grande fã de Yngwie Malmsteen, e Tim sabe disso porque disse mais de mil vezes a ele (risos), mas essa música realmente caiu muito bem na voz de Tim. Aprovado!. Após o fim dessa música, Tim nos dá a informação que provavelmente em Março de 2009, ele e a Yngwie Malmsteen's Rising Force devem aportar em terras brasileiras para uma grande turnê, levando os fãs tanto do cantor como de Yngwie Malmsteen à loucura.

Outra música do Judas Priest é tocada, "The Green Manalishi", e pudemos notar que com o passar dos anos a voz de Tim fica cada vez melhor e mais potente. As vezes parece que ele tem 25 anos e não 41!!!. A galera cantando os famosos "Ô ÔÔÔ Ô Ô ÔÔÔ" deram um brilho a mais na música.

Mais surpresas estavam por vir, quando Tim chama ao palco Rodrigo Simão (o tecladista contratado da banda Dr. Sin) para a execução de um clássico absoluto (dentre mais outros que estavam por vir) tanto do metal como do rock. É claro que estou falando de "Highway Star" do Deep Purple. Sempre achei que essa música seria perfeita na voz de Tim, e simplesmente foi o ponto mais alto do show. Dentre 10 pessoas que conversei no final do show 11 falaram que essa música foi a melhor (risos). Incrível a potência da voz de Tim. Memorável!!!.

Os acordes de um dos muitos hinos do Judas Priest ecoam pelo Manifesto, estou falando de "Electric Eye", que Tim cantou de forma idêntica aos registros ao vivo gravados por ele, mesmo ele dizendo que já fazia um bom tempo que não cantava essas músicas e que precisaria de ajuda das pessoas porque podia esquecer as letras. Claro Tim, a gente acredita (risos).

Mais uma pequena pausa para, quando Tim disse que tinha um convidado especial na noite para subir ao palco com ele, aliás uma convidada, a belíssima Dani Nolden, vocalista da banda brasileira Shadowside, para cantar uma música de uma "bandinha aí, chamada Iron Maiden". "Flight Of Icarus", veio para por a casa abaixo. Confesso que para mim esse é o melhor cover que Tim gravou em estúdio em suas muitas participações em tributos, e um dos mais perfeitos covers que alguém já fez em estúdio de uma música do Iron Maiden. Nessa noite, ao vivo não ficou muito diferente, arrancando muitos aplausos de todos presentes, incluindo esse quem vos escreve.

Enfim outra música do Judas Priest na fase Tim, "One On One" do segundo e último (infelizmente) álbum da banda com Tim, onde todos cantaram seu refrão grudento muito alto, Tim as vezes não acreditava no que via e ouvia alí do público, que cantava cada nota das músicas, não só as letras.

Vale aqui outra ressalva, o som do Manifesto é excelente, e não perdeu potência nem um segundo sequer do show. Parabéns a casa duplamente.

Próxima música foi outro grande clássico do metal e rock em geral, e todo fã que se preze gosta da banda e dessa música, e nunca, jamais se enjoará de ouví-la. Estou falando de "Paranoid", um dos maiores clássicos do Black Sabbath. Eu particularmente acho que músicas do Black Sabbath da fase Ronnie James Dio se encaixariam melhor na voz de Tim, e ainda sonho um dia poder ouvir "Computer God" ou uma "TV Crimes" com sua voz. Quem sabe um dia?. Estou a anos falando isso a ele, e um dia ele vai me escutar (risos). Voltando a música, perfeita e muito bem executada por todos da banda.

Sabe aquela música que você cresceu ouvindo e sabe cantá-la até de trás para frente?. Pois bem, estou falando de "Breaking The Law" do Judas Priest. Não dá para ficara parado nessa música. Se você que foi nesse show, ou em qualquer outro show do Judas Priest, com Rob Halford ou com Tim, e não enlouqueceu, me desculpem, mas se internem urgentemente ou assumam de vez que vocês não gostam de Heavy Metal. Nessa música eu pude ver nitidamente o quanto Tim sente falta de estar no Judas Priest. Ele carrega essa fase de sua vida com um orgulho muito grande e mesmo não estando mais na banda ele me disse que é muito fã deles até os dias de hoje mas sente muita falta daquela sua fase. Eu também sinto. Observação importante: Sim eu também sou um grande fã de Judas Priest com Rob Halford, então por favor não distorçam minhas palavras (risos).

Vocês algum dia na vida escutar Tim cantando Deep Purple? Com certeza nunca. E Kiss? Pois bem mais uma grande surpresa, "Cold Gin", foi tocada de forma magistral, com aquela melodia cadenciada que as vezes eu me perguntava se Ace Frehley estava tocando ao lado de Tim. Mais um parabéns as dois guitarristas. Quanto a performance vocal de Tim nessa música foi excepcional, dando mais peso e mais técnica a mesma. Muito bom mesmo!.

Já se passava mais de uma hora de show e mais um clássico do Judas Priest é recebido de forma calorosa pelo público: "Grinder". Tim nessa música, particularmente me agrada muito, porque mescla vocais meio guturais em certas horas, deixando-a muito pesada. Tim brincava muito com o público ali presente, colocando o microfone em cima da platéia para todos cantar. Ao fim dessa música, Tim agradece a presença de todos, parabeniza o Manifesto Bar pelo seus 14 anos de existência e se retira junto com a banda. Ninguém arredou o pé do local, todos esperavam um biz, muitos pediam "Painkiller", e músicas do Winters Bane, que eu particularmente adoraria poder ouvi-las ao vivo atualmente.

Enfim Tim volta ao palco junto com a banda, menos Ulisses, para uma última música. "Living After Midnight", com Tim cantando e tocando guitarra. Uma cena raríssima de se ver e bem estranha por sinal (risos). Tim nem se mexia porque senão se perderia todo na guitarra e se atrapalharia ao cantar, mas mesmo assim deu conta do recado e arriscou até uns solos. E assim termina esse show memorável, uma pena ter sido meio curto, aproximadamente 1 hora e 15 minutos de show, mas esperamos ansiosamente a volta desse que é um dos melhores vocalistas que o metal já nos presenteou.

Após o encerramento do show, após um pequeno descanso merecido no backstage, Tim ficou dando autógrafos e tirando muitas fotos com todos os fãs que foram até a parte de cima do Manifesto, atendendo a todos com muita simpatia e muito bom humor.

Saldo final foi muitíssimo proveitoso, Manifesto Bar tem um ótimo sistema de amplificação, é um ótimo lugar para shows, pequeno mas de extremo bom gosto, e bem intimista, o que todo fã gostaria sempre de ter, e nesse show de Tim foi tudo muito bem organizado. Parabéns a todos e parabéns ao Manifesto Bar pelos 14 anos e que venham mais e mais...

Agradecimentos especiais a Silvano e Bruno Garrido pela cordialidade.
 

:: FOTOS:
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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