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:: RESENHA:
O "longínquo" ano de 1996 me veio a cabeça alguns minutos antes de
escrever essa resenha. Qual o motivo? Simples, foi o ano que o até então
desconhecido vocalista da banda Winters Bane, Timothy Steven Owens,
assumiu uma posição que muitos não imaginariam que um dia estaria vaga.
Rob Halford estava fora do Judas Priest, e a banda recruta um "novato"
para o cargo deixado pelo Metal God. Nunca imaginávamos uma outra voz para
o Judas Priest, muito menos que um fã confesso da banda e também de Rob
Halford fosse assumir o posto de frontman de uma das maiores lendas do
Heavy Metal mundial. Muitos narizes, ridiculamente, torceram mesmo sem
antes ter ouvido o que seria o novo álbum da banda, uma série de
"hostilidades" começaram a aparecer em revistas e na mídia da música (a
internet ainda engatinhava aqui no Brasil).
Até que no ano seguinte é lançado "Jugulator", mostrando uma sonoridade
pesadíssima e um vocalista digno para a posição que ostentava. Vocal
poderoso, agudos perfeitos, peso descomunal, não lembrando em nada o que a
banda havia feito até então.
Pois bem, depois de mais um álbum de estúdio e dois ao vivos, eis que
acontece o inevitável, Rob Halford volta a banda e Tim "Ripper" Owens, se
"muda" para o Iced Earth de Jon Schaffer, que havia perdido seu então
vocalista, Matthew Barlow, gravando com a banda dois álbuns e dois singles
de grande sucesso, e mais uma vez o inevitável acontece, Matthew Barlow
volta e Tim se despede do Iced Earth de uma forma não tanto cordial pela
parte de Jon Schaffer, mas isso é outro assunto.
Tim, ainda no Iced Earth, também nos mostrou sua capacidade de criação e
composição com sua outra banda, o Beyond Fear, lançando seu debut álbum e
sendo muito bem recebido pela crítica especializada.
Atualmente, Tim se juntou ao guitarrista Yngwie Malmsteen, lançando o
álbum "Perpetual Flame", fazendo também muitos shows com o a banda do
guitarrista pelo mundo, e foi nesse descanso da turnê com Yngwie Malmsteen
que Tim veio ao Brasil pela segunda vez (a primeira em 2001 ainda com o
Judas Priest, em dois shows no Credicard Hall), para a comemoração de 14
anos do Manifesto Bar, tradição da casa que vem trazendo excelentes
atrações internacionais para a data.
Para acompanhar Tim, uma banda de apoio totalmente formada por brasileiros
foi escalada para a ocasião: os irmãos Andria e Ivan Busic,
respectivamente baixista e baterista do Dr. Sin, Hard Alexandre (Madgator)
na guitarra e Ulisses Miyazawa (guitarra).
O Manifesto estava completamente lotado, já se passava da 1 hora da manhã,
quando a banda e Tim, usando seu tradicional boné, óculos escuros e
jaqueta de couro, entram no palco para delírio dos fãs presentes já
emendando um coro de "Ripper, Ripper". Tim estava visivelmente feliz de
ver a manifestação do público, quando os primeiro acordes de "Metal Gods"
do Judas Priest saem dos amplificadores. O som estava excelente, nítido,
não tanto para as guitarras que estavam meio sem o "peso" que a voz de Tim
pede, mas isso não interferiu em nada a apresentação, porque ambos
guitarristas são de extrema competência, com destaque para Hard Alexandre,
o "Malmsteen brasileiro", impressionante como estilo de tocar, os
malabarismos e tudo mais, eram idênticos ao sueco.
Logo em seguida, outra música do Judas Priest, essa da fase de Tim, "Burn
In Hell". Essa música é sem sombra de dúvidas umas das melhores músicas
que Tim gravou ao lado dos ingleses. O público cantava cada palavra da
música junto com Tim, deixando-o muito a vontade no palco. Engraçado era
ver que a cada intervalo Tim pedia e agradecia o público presente,
brindando com cerveja e sempre pedindo mais, brincando a todo instante,
mostrando toda sua simpatia e humildade de sempre.
Eis que surge a pergunta: "What's my name?", lembrando os álbuns ao vivo
que Tim gravou com o Judas Priest. Era a vez de "The Ripper", clássico da
banda, qu na voz de Tim ganha outra pegada, sem desmerecer a voz de Rob
Halford logicamente, mas Tim dá outra "roupagem" aos clássicos do Judas,
parece que ficam mais atuais, mais pesadas, o que muitos gostam e até o
preferem, e me incluo nisso claro (risos).
Muitos me perguntavam o que ele iria tocar antes do show, e consegui
manter o segredo até o fim, muitos queriam saber se iríamos ter músicas do
Iced Earth ou Beyond Fear. Infelizmente não tivemos Iced Earth por razões
óbvias, já citadas no começo dessa resenha, mas tivemos sim uma música do
Beyond Fear para delírio dos fãs presentes. "And You Will Die", foi tocada
de forma perfeita, com Tim cantando muito, pena que a falta do peso
original dela fez um pouco falta, não por culpa dos guitarristas como ja
disse previamente. Quem sabe um dia não vemos o Beyond Fear ao vivo no
Brasil, e poderemos conferir todo o peso da guitarra de John Comprix?.
Vamos torcer.
Vale aqui um comentário a respeito dos irmãos Busic: Perfeitos como de
costume!. Estavam curtindo muito o momento, e tocavam com uma garra
absurda. No backstage pude conversar com Ivan e esse me disse que tocando
músicas antigas do Judas Priest o faziam parecer um garoto de 15 anos,
tamanho a empolgação e adrenalina que essas músicas passavam.
Mais uma pausa para "abastecimento alcoólico" e a banda solta uma
surpresa, "Rising Force" de Yngwie Malmsteen. Hard Alexandre deu um show a
parte nessa música, com muita empolgação, técnica e muito malabarismo.
Tinha horas que achei que levaria umas "guitarradas" na cabeça (risos).
Tim mostrou se encaixar perfeitamente nessa música. Confesso que não sou
um grande fã de Yngwie Malmsteen, e Tim sabe disso porque disse mais de
mil vezes a ele (risos), mas essa música realmente caiu muito bem na voz
de Tim. Aprovado!. Após o fim dessa música, Tim nos dá a informação que
provavelmente em Março de 2009, ele e a Yngwie Malmsteen's Rising Force
devem aportar em terras brasileiras para uma grande turnê, levando os fãs
tanto do cantor como de Yngwie Malmsteen à loucura.
Outra música do Judas Priest é tocada, "The Green Manalishi", e pudemos
notar que com o passar dos anos a voz de Tim fica cada vez melhor e mais
potente. As vezes parece que ele tem 25 anos e não 41!!!. A galera
cantando os famosos "Ô ÔÔÔ Ô Ô ÔÔÔ" deram um brilho a mais na música.
Mais surpresas estavam por vir, quando Tim chama ao palco Rodrigo Simão (o
tecladista contratado da banda Dr. Sin) para a execução de um clássico
absoluto (dentre mais outros que estavam por vir) tanto do metal como do
rock. É claro que estou falando de "Highway Star" do Deep Purple. Sempre
achei que essa música seria perfeita na voz de Tim, e simplesmente foi o
ponto mais alto do show. Dentre 10 pessoas que conversei no final do show
11 falaram que essa música foi a melhor (risos). Incrível a potência da
voz de Tim. Memorável!!!.
Os acordes de um dos muitos hinos do Judas Priest ecoam pelo Manifesto,
estou falando de "Electric Eye", que Tim cantou de forma idêntica aos
registros ao vivo gravados por ele, mesmo ele dizendo que já fazia um bom
tempo que não cantava essas músicas e que precisaria de ajuda das pessoas
porque podia esquecer as letras. Claro Tim, a gente acredita (risos).
Mais uma pequena pausa para, quando Tim disse que tinha um convidado
especial na noite para subir ao palco com ele, aliás uma convidada, a
belíssima Dani Nolden, vocalista da banda brasileira Shadowside, para
cantar uma música de uma "bandinha aí, chamada Iron Maiden". "Flight Of
Icarus", veio para por a casa abaixo. Confesso que para mim esse é o
melhor cover que Tim gravou em estúdio em suas muitas participações em
tributos, e um dos mais perfeitos covers que alguém já fez em estúdio de
uma música do Iron Maiden. Nessa noite, ao vivo não ficou muito diferente,
arrancando muitos aplausos de todos presentes, incluindo esse quem vos
escreve.
Enfim outra música do Judas Priest na fase Tim, "One On One" do segundo e
último (infelizmente) álbum da banda com Tim, onde todos cantaram seu
refrão grudento muito alto, Tim as vezes não acreditava no que via e ouvia
alí do público, que cantava cada nota das músicas, não só as letras.
Vale aqui outra ressalva, o som do Manifesto é excelente, e não perdeu
potência nem um segundo sequer do show. Parabéns a casa duplamente.
Próxima música foi outro grande clássico do metal e rock em geral, e todo
fã que se preze gosta da banda e dessa música, e nunca, jamais se enjoará
de ouví-la. Estou falando de "Paranoid", um dos maiores clássicos do Black
Sabbath. Eu particularmente acho que músicas do Black Sabbath da fase
Ronnie James Dio se encaixariam melhor na voz de Tim, e ainda sonho um dia
poder ouvir "Computer God" ou uma "TV Crimes" com sua voz. Quem sabe um
dia?. Estou a anos falando isso a ele, e um dia ele vai me escutar
(risos). Voltando a música, perfeita e muito bem executada por todos da
banda.
Sabe aquela música que você cresceu ouvindo e sabe cantá-la até de trás
para frente?. Pois bem, estou falando de "Breaking The Law" do Judas
Priest. Não dá para ficara parado nessa música. Se você que foi nesse
show, ou em qualquer outro show do Judas Priest, com Rob Halford ou com
Tim, e não enlouqueceu, me desculpem, mas se internem urgentemente ou
assumam de vez que vocês não gostam de Heavy Metal. Nessa música eu pude
ver nitidamente o quanto Tim sente falta de estar no Judas Priest. Ele
carrega essa fase de sua vida com um orgulho muito grande e mesmo não
estando mais na banda ele me disse que é muito fã deles até os dias de
hoje mas sente muita falta daquela sua fase. Eu também sinto. Observação
importante: Sim eu também sou um grande fã de Judas Priest com Rob Halford,
então por favor não distorçam minhas palavras (risos).
Vocês algum dia na vida escutar Tim cantando Deep Purple? Com certeza
nunca. E Kiss? Pois bem mais uma grande surpresa, "Cold Gin", foi tocada
de forma magistral, com aquela melodia cadenciada que as vezes eu me
perguntava se Ace Frehley estava tocando ao lado de Tim. Mais um parabéns
as dois guitarristas. Quanto a performance vocal de Tim nessa música foi
excepcional, dando mais peso e mais técnica a mesma. Muito bom mesmo!.
Já se passava mais de uma hora de show e mais um clássico do Judas Priest
é recebido de forma calorosa pelo público: "Grinder". Tim nessa música,
particularmente me agrada muito, porque mescla vocais meio guturais em
certas horas, deixando-a muito pesada. Tim brincava muito com o público
ali presente, colocando o microfone em cima da platéia para todos cantar.
Ao fim dessa música, Tim agradece a presença de todos, parabeniza o
Manifesto Bar pelo seus 14 anos de existência e se retira junto com a
banda. Ninguém arredou o pé do local, todos esperavam um biz, muitos
pediam "Painkiller", e músicas do Winters Bane, que eu particularmente
adoraria poder ouvi-las ao vivo atualmente.
Enfim Tim volta ao palco junto com a banda, menos Ulisses, para uma última
música. "Living After Midnight", com Tim cantando e tocando guitarra. Uma
cena raríssima de se ver e bem estranha por sinal (risos). Tim nem se
mexia porque senão se perderia todo na guitarra e se atrapalharia ao
cantar, mas mesmo assim deu conta do recado e arriscou até uns solos. E
assim termina esse show memorável, uma pena ter sido meio curto,
aproximadamente 1 hora e 15 minutos de show, mas esperamos ansiosamente a
volta desse que é um dos melhores vocalistas que o metal já nos
presenteou.
Após o encerramento do show, após um pequeno descanso merecido no
backstage, Tim ficou dando autógrafos e tirando muitas fotos com todos os
fãs que foram até a parte de cima do Manifesto, atendendo a todos com
muita simpatia e muito bom humor.
Saldo final foi muitíssimo proveitoso, Manifesto Bar tem um ótimo sistema
de amplificação, é um ótimo lugar para shows, pequeno mas de extremo bom
gosto, e bem intimista, o que todo fã gostaria sempre de ter, e nesse show
de Tim foi tudo muito bem organizado. Parabéns a todos e parabéns ao
Manifesto Bar pelos 14 anos e que venham mais e mais...
Agradecimentos especiais a Silvano e Bruno Garrido pela cordialidade.
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